Uma descoberta monumental ocorreu no coração gemológico de Mianmar, onde mineradores encontraram um rubi bruto de 11 mil quilates. Este é considerado o segundo maior já registrado no país, superado apenas por uma pedra de 21.450 quilates descoberta em 1996.
O rubi, com uma tonalidade vermelho-púrpura e reflexos amarelados, foi desenterrado na região de Mogok, ao norte de Mandalay, área conhecida por sua produção de gemas e marcada por conflitos armados. A pedra, encontrada logo após o festival tradicional de Ano Novo, possui qualidade superior devido à sua cor e transparência, aumentando consideravelmente seu valor no mercado global.
De acordo com o relato da mídia estatal, o rubi foi inspecionado recentemente pelo presidente Min Aung Hlaing e seu gabinete na capital Naypyitaw. Este presidente, que liderou um golpe militar em 2021, retornou ao poder em eleições amplamente criticadas por grupos de direitos humanos como fraudulentas.
A indústria de pedras preciosas em Mianmar, responsável por cerca de 90% dos rubis do mundo, tem sido uma fonte vital de receita para o governo e também para grupos armados em busca de autonomia. A exploração desses recursos frequentemente alimenta os conflitos internos, perpetuando a instabilidade na região.
Em 2024, a área de Mogok foi capturada pelo Exército de Libertação Nacional Ta’ang (TNLA), uma força guerrilheira representando a minoria étnica Palaung. No entanto, o controle foi devolvido ao exército de Mianmar após um acordo de cessar-fogo mediado pela China no final do ano passado.
Organizações internacionais, como a Global Witness, têm pressionado joalheiros a boicotar pedras preciosas provenientes de Mianmar. Elas argumentam que a compra desses recursos perpetua a opressão e financia regimes militares que violam os direitos humanos.
Apesar do contexto político e social turbulento, o rubi descoberto é uma lembrança do potencial mineralógico de Mianmar. No entanto, ele também simboliza as complexas relações entre riqueza natural e conflitos humanos.
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