O aquecimento dos oceanos modifica comunidades microbianas nos sedimentos costeiros e compromete a saúde das gramíneas marinhas, segundo estudo da University of New South Wales.
Pesquisadores analisaram Myuna Bay, no lago Macquarie, na Austrália, onde a descarga de água quente da usina termelétrica a carvão Eraring elevou a temperatura local em até 3 graus Celsius acima da média por décadas. O local funcionou como laboratório natural para observar os efeitos do calor sobre a planta Zostera muelleri e os micróbios ao redor de suas raízes.
O estudo, publicado na revista New Phytologist, mostrou que o aquecimento modifica drasticamente a relação entre as gramíneas e os microrganismos do sedimento. Esses micróbios fornecem nutrientes às plantas, decompõem matéria orgânica e neutralizam toxinas presentes no solo submarino.
Com o aumento da temperatura, certas bactérias produtoras de sulfeto se tornam mais ativas. O sulfeto, quando acumulado em altas concentrações, é tóxico para as raízes das gramíneas.
Cientistas coletaram plantas e sedimentos de zonas com temperaturas normais e aquecidas para realizar experimentos de campo. Em parte das amostras, os micróbios foram removidos para comparar o desempenho das plantas expostas ao calor por um mês.
As gramíneas cultivadas em sedimentos mais quentes com micróbios intactos apresentaram menor biomassa e crescimento reduzido. A análise genética revelou mudanças significativas na composição das comunidades bacterianas, o que explica o declínio observado nas plantas.
A Zostera muelleri depende dessa simbiose delicada para sobreviver em ambientes costeiros. Quando o sedimento aquecido favorece micróbios produtores de sulfeto, a saúde das gramíneas se deteriora rapidamente.
Esses achados têm impacto direto nos projetos de restauração de prados submarinos, que perdem área em escala global por causa de poluição, desenvolvimento costeiro e aquecimento dos oceanos. O sucesso do replantio depende tanto da qualidade das mudas quanto da condição microbiana do sedimento onde elas são introduzidas.
A pesquisa reforça que a preservação das gramíneas marinhas exige atenção à saúde invisível do solo submarino. Com os oceanos em processo contínuo de aquecimento, a resiliência desses ecossistemas pode diminuir mais rápido do que o previsto.
Para mais detalhes, acesse o artigo completo no portal Phys.org.
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