Colonos israelenses obrigaram familiares de um palestino de 80 anos a desenterrar seu corpo durante o funeral na Cisjordânia ocupada.
O incidente ocorreu em um cemitério próximo à cidade de Jenin. Os colonos invadiram o local e exigiram a remoção imediata do cadáver sob a alegação de que o enterro estava muito próximo de uma colônia israelense.
O enterro havia sido previamente autorizado pelas forças de ocupação israelenses. Mesmo assim, os familiares foram compelidos a carregar o corpo nos ombros até um cemitério mais distante, enquanto tropas israelenses observavam a cena sem intervir, segundo reportagem da RFI.
A organização israelense Breaking the Silence documentou o caso como parte de uma onda de violência por colonos na região. A entidade registrou 378 incidentes semelhantes nos últimos 40 dias na Cisjordânia ocupada.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos classificou o episódio como um exemplo terrível de violência que não poupa nem os mortos. O comissariado destacou que tais atos geram profundo trauma psicológico nas famílias palestinas e violam normas básicas de dignidade humana.
O jornalista israelense Gideon Levy publicou um editorial no jornal Haaretz questionando a reação da sociedade israelense caso a situação fosse invertida. Levy perguntou como israelenses reagiriam se palestinos obrigassem famílias judaicas a desenterrar seus mortos em circunstâncias semelhantes.
A pressão constante de colonos sobre terras e espaços de sepultamento agrava o cotidiano de comunidades que vivem sob ocupação militar israelense. Casos de profanação de cemitérios tornaram-se recorrentes na região.
As autoridades israelenses raramente punem os responsáveis por esses atos. A expansão de assentamentos ilegais continua a gerar novos focos de conflito e a expor a impunidade com que grupos de colonos atuam na Cisjordânia.
Leia também: Colonos israelenses forçam família palestina a exumar corpo de patriarca na Cisjordânia
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