Colonos israelenses forçaram uma família palestina a exumar o corpo de seu patriarca de 80 anos na Cisjordânia ocupada.
Hussein Asasa faleceu de causas naturais e foi sepultado no cemitério de sua aldeia próxima a Jenin com aprovação das autoridades. O filho Mohammed Asasa confirmou que todas as permissões para o enterro foram obtidas junto às forças de segurança israelenses com antecedência.
Os colonos contestaram o sepultamento alegando que o terreno integrava uma zona reservada para assentamentos israelenses ilegais. Eles ameaçaram usar um trator para remover o corpo caso a família não realizasse a exumação por conta própria.
A família retornou ao local e encontrou o túmulo já parcialmente violado pelos colonos, que haviam alcançado o caixão. Sob coação extrema, concluiu a exumação e transferiu os restos mortais para outro cemitério da região.
O Exército de Israel negou ter dado qualquer ordem para a remoção do corpo e afirmou ter enviado tropas apenas para impedir confrontos. Os militares confiscaram ferramentas de escavação que estavam em poder dos colonos durante a intervenção.
A família, no entanto, interpretou a presença do Exército como forma de apoio às reivindicações dos assentados na área. O chefe do Escritório de Direitos Humanos da ONU nos Territórios Palestinos Ocupados, Ajith Sunghay, condenou o incidente como um ato degradante e desumanizador.
Sunghay destacou que a violência de colonos contra palestinos — mesmo após a morte — reflete o agravamento da ocupação israelense, conforme registrado pelo portal da ONU. Os ataques de colonos na Cisjordânia aumentaram consideravelmente desde 2023, quando Israel intensificou as operações em Gaza.
Incêndios criminosos em casas e veículos, além de agressões diretas contra crianças palestinas, ocorreram em diversas localidades no período. A Anistia Internacional denunciou a impunidade que facilita a expansão contínua dos assentamentos ilegais em terras palestinas.
O episódio envolvendo a família Asasa ilustra o padrão de violações diárias cometidas sob a ocupação nos territórios palestinos. Organizações de direitos humanos registram esses casos como parte de uma política mais ampla de despossessão e humilhação contra o povo palestino.
Com informações de Al Jazeera.
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