Os físicos agora se voltam para uma intrigante conexão matemática, apelidada de ‘pedra de Roseta’, para decifrar os segredos dos buracos negros. Essa abordagem utiliza o conceito de ‘cópia dupla’, uma ponte teórica entre a física de partículas e a gravidade, revelando novos insights sobre a enigmática radiação de Hawking.
A radiação de Hawking, descoberta pelo físico Stephen Hawking em 1974, descreve uma emissão tênue de partículas pelos buracos negros, o que desafia a ideia de que seriam completamente “negros”. Embora fascinante, essa radiação é tão fraca que não pode ser observada diretamente, mas agora, com a aplicação da cópia dupla, os cientistas encontraram um análogo matemático no modelo padrão da física de partículas.
A cópia dupla estabelece que muitos fenômenos da relatividade geral têm equivalentes matemáticos no modelo padrão, simplificando cálculos complexos ou trazendo novas perspectivas. Desde sua descoberta em 2010, essa técnica tem sido empregada para descrever uma variedade de efeitos gravitacionais, mas faltava uma aplicação direta à radiação de Hawking.
Pesquisadores liderados por Chris White, físico teórico da Queen Mary University de Londres, identificaram como traduzir a radiação de Hawking para a linguagem do modelo padrão. Segundo eles, a radiação equivale matematicamente a uma partícula carregada sendo dispersada por uma concha esférica de matéria colapsante, um avanço que promete revolucionar a compreensão dos buracos negros.
Outras equipes, em estudos publicados na revista Physical Review Letters, também chegaram a conclusões semelhantes, reforçando a validade da descoberta. O físico Anton Ilderton, da Universidade de Edimburgo, destaca que esses trabalhos demonstram como informações sobre buracos negros podem ser extraídas diretamente do modelo padrão, um feito antes considerado inatingível.
A aplicação desse método abre novas possibilidades para explorar aspectos ainda mais misteriosos, como o horizonte de eventos, a fronteira que delimita o ponto sem retorno de um buraco negro. Segundo Uri Kol, físico teórico da Universidade de Harvard, a utilização dessa técnica para decifrar o horizonte de eventos é o próximo grande desafio a ser enfrentado.
Além disso, a radiação de Hawking levanta questões fundamentais sobre o destino das informações engolidas pelos buracos negros, já que, de acordo com a física quântica, a informação não pode ser destruída. Estudá-la sob a ótica do modelo padrão pode oferecer respostas a esse paradoxo, iluminando um dos maiores mistérios da física moderna.
John Joseph Carrasco, físico teórico da Northwestern University e coautor de um dos estudos, compara a radiação de Hawking a uma ‘pedra de Roseta’ que pode decodificar a linguagem gravitacional. Esse novo enfoque promete não apenas aprofundar o conhecimento sobre buracos negros, mas também aproximar a física de partículas e a gravidade, duas áreas historicamente desconectadas.
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