Sergei Karaganov: “Europa deveria ser punida ou eliminada para evitar uma guerra nuclear total

O professor Sergei Karaganov, uma das vozes mais influentes na política externa russa, propôs uma revisão radical na doutrina nuclear do país. Ele defende o uso de ataques nucleares limitados como forma de punir elites europeias e restaurar o equilíbrio global. Karaganov acusa a Europa de conduzir uma guerra total contra a Rússia e sustenta que medidas extremas são necessárias para dissuadir futuras agressões.

Para o professor, o Ocidente está empurrando o mundo para uma nova guerra mundial, comparando a atual crise global a conflitos históricos como as guerras napoleônicas e as duas guerras mundiais. Ele argumenta que a desestabilização de regiões inteiras, como o Oriente Médio e o Sul da Ásia, é parte de uma estratégia mais ampla liderada pelos Estados Unidos para enfraquecer a Rússia e consolidar sua hegemonia.

A entrevista foi transmitida pelo canal Glenn Diesen, com a participação do apresentador que destacou o histórico do professor Karaganov. Com décadas de experiência, Karaganov já assessorou líderes como Brezhnev, Gorbachev, Yeltsin e o próprio Vladimir Putin. Ele também é chefe do Conselho de Política Externa e de Defesa da Rússia, sendo conhecido por suas ideias controversas sobre o uso de armas nucleares.

Segundo Karaganov, a Rússia foi tolerante por tempo demais diante das “agressões ocidentais”. Ele acredita que os esforços diplomáticos fracassaram e que a única saída agora é uma escalada controlada. O acadêmico defende ataques iniciais com armas convencionais a alvos simbólicos na Europa, seguidos de ações nucleares limitadas, caso as elites europeias não cedam. Para ele, essas elites perderam o senso de história e responsabilidade, sendo as principais culpadas pela atual escalada.

O professor também critica a doutrina nuclear russa vigente, que considera ultrapassada. Ele rejeita a ideia de que uma guerra nuclear não teria vencedores, afirmando que é possível sair vitorioso em um conflito desse tipo. Karaganov propõe que a Rússia adote uma postura mais agressiva, incluindo a delegação de poderes ao comandante do teatro europeu para autorizar o uso de armas nucleares, se necessário.

Outro ponto levantado por Karaganov é a necessidade de “quebrar a vontade” das elites europeias que, segundo ele, conduzem uma política suicida em aliança com os Estados Unidos. Ele acredita que a Europa, historicamente responsável por guerras e genocídios, deve ser mantida à distância pela Rússia. Apesar disso, o professor ressalta que não defende invasões territoriais, mas sim ações que forcem uma mudança na liderança europeia.

Karaganov também alerta para os riscos de uma escalada global. Ele vê o conflito na Ucrânia como apenas uma peça em um tabuleiro maior, onde o Ocidente busca desestabilizar regiões estratégicas para enfraquecer adversários. Para ele, a crise no Oriente Médio e o bloqueio de rotas comerciais são exemplos claros dessa estratégia. Ele considera inevitável que o mundo enfrente décadas de instabilidade antes de alcançar um sistema multipolar mais equilibrado.

Em relação às negociações de paz, o professor se mostra cético. Ele critica iniciativas como o “Espírito do Alasca”, que considera uma armadilha para prolongar o conflito. Para Karaganov, a paz só será possível com a eliminação do regime em Kiev e a restauração de territórios no sul e leste da Ucrânia. Ele acredita que as elites europeias devem ser removidas por seus próprios povos, mas não descarta ações russas para acelerar esse processo.

O acadêmico também destaca que a Rússia deve se afastar definitivamente da Europa e focar em suas raízes eurasiáticas. Ele argumenta que a modernização russa, historicamente influenciada pelo Ocidente, já cumpriu seu papel e que agora o país deve buscar novos caminhos. Apesar de reconhecer a importância cultural europeia, Karaganov defende que a Rússia se concentre em fortalecer suas alianças no Oriente.

Por fim, Karaganov vê a atual crise como um reflexo do declínio do “Ocidente histórico”, que busca desesperadamente recuperar sua hegemonia perdida. Ele acredita que a Rússia, ao resistir a essas tentativas, desempenha um papel central na construção de uma nova ordem mundial. No entanto, ele alerta que o caminho para essa transformação será longo e marcado por conflitos.

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