O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), minimizou os possíveis impactos políticos da operação de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um de seus principais aliados. A ação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, levou ao cancelamento de um evento do PP que oficializaria o apoio à candidatura de Tarcísio à Presidência em 2026.
Em um evento no Hospital Geral de Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, Tarcísio afirmou que sua base política no estado permanece sólida, destacando alianças com partidos como Republicanos, PL, PSD, MDB, União Brasil, Podemos e o próprio PP. “Isso não tem nada a ver com a gente, não prejudica nada”, declarou, ao ser questionado sobre o impacto do episódio envolvendo Nogueira.
O reflexo de 2022
A força política de Tarcísio em São Paulo, consolidada no segundo turno das eleições de 2022 com 55,27% dos votos válidos no estado, é um ativo que ele busca expandir para o cenário nacional. No entanto, a operação contra Nogueira, que articulava sua possível candidatura presidencial e pleiteava a vaga de vice na chapa, expõe fragilidades na costura de alianças. O caso, que envolve o escândalo do Banco Master, coloca em xeque a estabilidade de sua coalizão.
Embora Tarcísio tenha reafirmado compromisso com a transparência e a apuração de casos de corrupção, ele reconheceu que episódios como esse podem gerar desgaste político. “Estamos diante de um grande escândalo, e isso tem que ser esclarecido. A população não suporta mais episódios de corrupção”, disse, em um tom que buscou se distanciar das acusações contra Nogueira.
A matemática das alianças
Apesar do desgaste, Tarcísio mantém o PP como peça importante de sua estratégia e aposta em nomes como o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, como alternativa para reforçar sua base. No entanto, Derrite enfrenta resistência interna devido à dificuldade em aprovar projetos de peso no Congresso, como o projeto de lei Antifacção, o que gera dúvidas sobre sua capacidade de articulação.
Outro nome que ganha força é o do deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, que tem o apoio direto de Tarcísio. Prado, que vem realizando viagens estratégicas para angariar apoio político, surge como uma alternativa para fortalecer a chapa em meio às turbulências envolvendo o PP e Nogueira.
Por que isso importa
A operação contra Ciro Nogueira expõe os desafios da direita em manter a coesão interna diante de um cenário pré-eleitoral marcado por disputas de poder e denúncias de corrupção. Para Tarcísio, que busca se consolidar como o principal nome da centro-direita em 2026, a habilidade de gerir crises e preservar alianças será crucial.
Embora o governador tenha reafirmado a força de sua base em São Paulo, que é o maior colégio eleitoral do país, o impacto nacional do caso Banco Master permanece incerto. A proximidade de Nogueira com figuras centrais da campanha de Tarcísio pode se converter em um fator de desgaste político no médio prazo.
Conforme destacou a reportagem da Folha, Tarcísio aposta em um projeto que dialogue tanto com o futuro de São Paulo quanto com o Brasil. A questão central é se sua estratégia será suficiente para superar os obstáculos que surgem no caminho até 2026.
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