Estudo revela que habitats complexos são decisivos para sobrevivência do wallaby-de-cauda-pincel

Um wallaby-das-rochas-de-cauda-peluda em seu habitat rochoso. (Foto: phys.org)

O wallaby-de-cauda-pincel, espécie criticamente ameaçada de extinção, sofre com os impactos acumulados de séculos de caça predatória e da introdução de espécies invasoras em seu habitat original na Austrália.

A complexidade estrutural do terreno surge como fator decisivo para a escolha de áreas de refúgio por esses animais, segundo pesquisa publicada no Australian Journal of Zoology. O doutor David Taggart, da Universidade de Adelaide, revela que programas de reintrodução em áreas abertas e sem proteção alcançam taxas de sucesso inferiores a 46 por cento.

O controle efetivo de predadores como raposas e gatos selvagens, combinado com a seleção adequada de habitats complexos, determina o futuro dessas iniciativas de conservação. A investigação empregou técnicas avançadas de modelagem para mapear a distribuição potencial da espécie e identificar os melhores locais para soltura dos animais.

Entre as variáveis analisadas destacam-se a complexidade das formações rochosas, a densidade de penhascos, a disponibilidade de água, a cobertura vegetal e a elevação do terreno. A proteção contra predadores e contra condições ambientais extremas representa o aspecto mais relevante para a sobrevivência da espécie.

Os animais demonstram preferência por afloramentos elevados de arenito que oferecem penhascos abundantes e fissuras estreitas capazes de servir como esconderijos seguros. Desde a década de 1920, quando se acreditava que a espécie havia desaparecido de Victoria e do sul de Nova Gales do Sul, sua população permanece em níveis críticos.

Atualmente restam entre 50 e 70 indivíduos em Victoria, distribuídos em pequenas colônias isoladas que enfrentam riscos constantes. A caça para o comércio de peles foi interrompida, mas predadores introduzidos continuam a dizimar grande parte dos filhotes e subadultos da espécie.

Incêndios florestais agravam ainda mais a situação ao matar os animais diretamente, destruir fontes de alimento e remover a cobertura vegetal que os protege de ataques. A identificação precisa de habitats adequados torna-se essencial diante do número reduzido de indivíduos restantes na natureza.

O estudo, liderado por C. Malam e colaboradores, oferece dados científicos fundamentais para o planejamento de ações de reintrodução mais eficazes. Conforme detalhado pelo portal Phys.org, essas informações permitem desenvolver estratégias de conservação baseadas em evidências concretas para garantir a preservação a longo prazo do marsupial.


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