Lobby patronal pressiona por enfraquecimento da redução da jornada de trabalho no Congresso

Manifestantes protestam contra a escala de trabalho 6x1, segurando cartazes e uma faixa. (Foto: operamundi.uol.com.br)

O projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas sem corte salarial enfrenta resistências significativas no Congresso Nacional. O lobby empresarial atua de forma intensa para promover modificações que podem comprometer os ganhos previstos para os trabalhadores.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL) é a autora da proposta que busca substituir o regime 6×1 pelo modelo 5×2 sem redução nos vencimentos. A iniciativa conta com apoio de movimentos sociais, embora encontre ambiente difícil no Legislativo.

O movimento Vida Além do Trabalho defendia uma agenda mais ambiciosa, com o regime 4×3 e o limite de 36 horas semanais. A economista Bianca Valoski considera que a escolha por 40 horas semanais representa um ponto de partida conservador que facilita novas concessões.

Valoski argumenta que iniciar as discussões a partir de uma proposta menos ousada abre margem para que o Congresso aprove uma versão ainda mais esvaziada. Essa possibilidade compromete os benefícios esperados pela classe trabalhadora.

O cientista político Leonardo Sacramento critica a ausência de articulação mais robusta do governo com sindicatos e movimentos sociais. Ele destaca que a falta de diálogo ampliado com o Congresso favorece o predomínio dos interesses do empresariado nas negociações.

A votação do parecer do deputado Léo Prates, relator do projeto, está prevista para o fim deste mês. A tramitação deve seguir para o plenário da Câmara dos Deputados em seguida.

Valoski recorre a experiências internacionais para sustentar a viabilidade da redução da jornada sem impactos negativos graves. Países como Chile e Colômbia já adotaram medidas semelhantes com resultados favoráveis para trabalhadores e economia.

Na Europa, a jornada de 40 horas semanais ou inferior predomina em diversos países. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que o acréscimo nos custos trabalhistas seria absorvível pelas empresas sem gerar demissões em massa.

A reedição do programa Desenrola tem o objetivo de permitir a renegociação de dívidas bancárias para milhões de brasileiros endividados. A economista ressalta que a ação oferece apenas um alívio passageiro sem atacar as causas estruturais do problema.

As altas taxas de juros e o crescimento das apostas virtuais contribuem de forma decisiva para o endividamento excessivo das famílias. O governo analisa a possibilidade de impor regras mais rígidas às plataformas de apostas online.

Dados da Confederação Nacional do Comércio revelam que mais de 80% das famílias enfrentam algum tipo de endividamento. Cerca de 73 milhões de pessoas permanecem com o nome negativado junto aos órgãos de proteção ao crédito.

Valoski avalia que medidas como o Desenrola funcionam como paliativos temporários diante da gravidade da crise de endividamento. Especialistas defendem reformas mais profundas no sistema financeiro para resolver o problema de forma duradoura.

Sacramento enfatiza que o governo precisa demonstrar maior firmeza nas tratativas com os parlamentares para evitar recuos excessivos. O engajamento mais intenso com a sociedade civil organizada pode fortalecer a tramitação das propostas no Congresso.

Conforme reportagem da Carta Capital, as duas iniciativas possuem potencial para reconectar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com sua base histórica. Seu eventual enfraquecimento representaria um revés importante para as políticas voltadas à população trabalhadora.

Com informações de UOL.


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