Escondido sob as camadas de um manuscrito medieval, um mapa estelar de mais de dois milênios está sendo desvendado por cientistas. Utilizando tecnologia de raios-X avançada, pesquisadores descobriram traços de um catálogo astronômico que pode remontar à época helenística, potencialmente conectado ao renomado astrônomo grego Hiparco.
O documento em questão, conhecido como Codex Climaci Rescriptus, parecia à primeira vista um texto teológico comum. No entanto, análises mais detalhadas revelaram inscrições gregas apagadas sob o texto em siríaco, levantando a hipótese de que o pergaminho contém um dos primeiros registros sistemáticos do céu noturno.
Durante a Idade Média, era prática comum reaproveitar pergaminhos devido ao alto custo do material. Assim, textos antigos eram raspados e reescritos, o que levou à perda de inúmeros registros históricos. No caso do Codex, os fragmentos revelados incluem referências a constelações e coordenadas estelares, indicando um conhecimento sofisticado da astronomia para a época.
Os estudos estão sendo conduzidos no SLAC National Accelerator Laboratory, onde um acelerador de partículas de síncrotron gera raios-X capazes de diferenciar camadas de tinta sem danificar o documento. A análise química identificou que a tinta medieval continha ferro, enquanto o texto original grego empregava elementos como compostos de cálcio, permitindo a separação dos textos sobrepostos.
Até o momento, fragmentos significativos foram recuperados, incluindo informações sobre estrelas e suas posições. Especialistas acreditam que, se confirmada a autoria de Hiparco, essa descoberta poderá revolucionar a compreensão sobre os primórdios da astronomia científica. Hiparco é conhecido por seus cálculos sobre a precessão do eixo terrestre e por ter criado um dos primeiros catálogos estelares do Ocidente.
Embora apenas uma fração do Codex tenha sido analisada, o manuscrito completo possui aproximadamente 200 páginas, muitas das quais estão dispersas em diferentes partes do mundo. Segundo o Times of India, os pesquisadores continuam a trabalhar na recuperação de mais fragmentos, buscando reconstruir o mapa estelar perdido.
A possibilidade de trazer à luz um mapa do céu de dois mil anos é um feito extraordinário. Cada novo fragmento revelado aproxima a ciência de recuperar um conhecimento que esteve oculto por séculos, enterrado sob camadas de tinta e história.
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