Larry Fink, presidente-executivo da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, declarou publicamente que tem inveja do Pix — e disse que gostaria que os EUA tivessem algo parecido.
A declaração foi feita durante evento promovido pela Amcham e pela própria BlackRock na sede da gestora em Nova York. Diante de uma plateia de executivos e investidores, Fink classificou o Brasil como um dos emergentes mais bem posicionados para a nova economia digital.
‘Tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez ao criar o Pix. Gostaria que tivéssemos isso aqui’, afirmou o executivo. A frase resume um elogio mais amplo feito ao longo do encontro.
Fink destacou que poucos países conseguiram construir uma infraestrutura digital com adesão tão ampla da população. Para ele, os brasileiros já desenvolveram uma ‘mentalidade digital’ capaz de acelerar transformações profundas no sistema financeiro e no mercado de capitais.
O executivo foi além do elogio ao sistema de pagamentos e atribuiu ao Pix um papel estrutural na economia. ‘O Pix realmente permitiu transformar a economia informal em formal’, disse Fink. ‘Menos fraude, menos corrupção.’
Fink colocou Brasil e Índia em uma categoria própria entre as grandes economias emergentes, afirmando que os dois países são os únicos que ‘realmente têm essa mentalidade digital’. Essa vantagem estrutural, combinada com pagamentos instantâneos consolidados, posiciona os dois na vanguarda da tokenização de ativos.
‘Quando falo de digitalização, estou falando de tokenizar ações, tokenizar títulos, tornar tudo digital’, explicou o CEO da BlackRock. ‘É para onde o mundo está indo — e isso vai acontecer muito rapidamente.’ Fink comparou o estágio atual da tokenização aos primeiros anos da internet comercial.
O otimismo com o Brasil não se limitou à infraestrutura digital. Fink relacionou o potencial brasileiro à corrida global por energia impulsionada pela inteligência artificial, apontando que países com abundância de recursos naturais e geração elétrica competitiva terão papel estratégico nos próximos anos.
‘Em países como o Brasil, que têm abundância de sol e hidrocarbonetos, isso pode representar um florescimento’, afirmou. ‘Se não tivermos energia barata suficiente, será difícil para um continente ou um país competir.’ O raciocínio reforça que a soberania energética brasileira — ancorada em hidrelétricas, biocombustíveis e no pré-sal — é um trunfo geopolítico de primeira grandeza num mundo que corre atrás de eletricidade para alimentar data centers de IA.
Na avaliação do executivo, Brasil e México são os dois principais destinos de capital internacional na América Latina. ‘Acho que os dois lugares para onde o capital vai se direcionar, no geral, serão Brasil e México’, disse Fink.
Fink fez também uma ressalva estratégica: o Brasil precisa ampliar a participação de investidores locais no financiamento da própria economia, reduzindo a dependência de capital externo. Para ele, isso passa por transformar a cultura de poupança em cultura de investimento, especialmente por meio de instrumentos de longo prazo e previdência privada.
‘Se você está na renda fixa, você é um inquilino’, resumiu Fink. ‘Você não está crescendo junto com o seu país.’ O reconhecimento público do maior gestor de ativos do planeta ao Pix — uma criação do Banco Central brasileiro — reforça o peso da conquista e coloca o país no centro do debate global sobre infraestrutura financeira digital.
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