Erupção solar abre buraco na atmosfera do Sol e pode gerar aurora boreal nesta terça e quarta

Imagem do Sol mostrando uma erupção e uma explosão solar. (Foto: livescience.com)

Uma erupção de grande escala abriu um buraco na atmosfera do Sol, desencadeando uma chama solar de classe M5.7 e lançando no espaço uma nuvem de plasma com trajetória rasante em direção à Terra. O evento provocou apagões temporários em comunicações de rádio de alta frequência no lado iluminado do planeta e colocou agências espaciais em alerta para possíveis auroras boreais.

A chama registrada pertence à categoria M, a segunda mais intensa na escala de erupções solares, superada apenas pelas de classe X. O Centro de Previsão de Clima Espacial da Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a ocorrência e monitorou a ejeção de massa coronal (CME) associada ao evento. Trata-se de uma nuvem de plasma e radiação solar que viaja pelo espaço e pode desencadear tempestades geomagnéticas ao colidir com o campo magnético terrestre, conforme reportagem do portal Live Science.

A CME não tem trajetória de impacto direto com a Terra, mas um golpe rasante não está descartado. “A modelagem indica que a maior parte do material deve passar bem atrás da órbita terrestre”, informou um porta-voz do Centro de Previsão de Clima Espacial. “Dito isso, um golpe rasante e/ou chegada de choque no final do dia 12 de maio, adentrando as primeiras horas do dia 13, não pode ser descartado”, completou o comunicado.

Caso o golpe rasante se confirme, a expectativa é de uma tempestade geomagnética de nível G1 — o mais baixo em uma escala que vai de G1 a G5. O Escritório Meteorológico do Reino Unido (Met Office) corrobora essa avaliação, e mesmo em nível G1 o fenômeno pode gerar auroras visíveis em regiões de alta latitude, além de provocar flutuações leves em redes elétricas e impactos menores em satélites e animais migratórios.

A mancha solar responsável pela erupção, catalogada como mancha 4436, tem sido excepcionalmente ativa nos últimos dias. Enquanto ainda estava no lado oposto do Sol em relação à Terra, a mesma mancha ejetou pelo menos cinco CMEs, conforme registrou o portal especializado Spaceweather.com. Novas explosões nos próximos dias podem gerar CMEs adicionais com trajetória mais direta e tempestades geomagnéticas de maior intensidade.

As auroras boreais — e suas equivalentes austrais — surgem quando partículas carregadas provenientes do Sol penetram na atmosfera superior da Terra e colidem com moléculas de oxigênio e nitrogênio. Conforme explica o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, o oxigênio emite os tons verdes e vermelhos característicos das auroras, enquanto o nitrogênio produz as tonalidades azuis e roxas.

O Sol atingiu seu pico de atividade — o chamado máximo solar — e cientistas indicam que esse pico provavelmente se encerrou no início de 2025, o que significa que a atividade solar está, em teoria, em declínio. Ainda assim, a mancha 4436 já acumula ao menos seis CMEs em poucos dias, evidenciando que regiões ativas isoladas continuam capazes de gerar eventos de impacto geomagnético mesmo fora do pico do ciclo.


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