A República Islâmica do Irã recusou-se a retomar as negociações com os Estados Unidos enquanto Washington não aceitar um conjunto de cinco exigências consideradas por Teerã como garantias mínimas para fomentar a confiança.
A posição foi comunicada ao mediador paquistanês e representa um endurecimento significativo da postura iraniana diante do processo de diálogo.
Segundo a RT, com base na agência Fars News, as cinco condições formuladas por Teerã são: o fim da guerra em todos os fronts, com ênfase especial no Líbano; o levantamento das sanções impostas ao Irã; a liberação dos ativos iranianos congelados; o pagamento de indenização pelos danos causados pelo conflito armado; e o reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.
Cada um desses pontos reflete uma ferida histórica específica na relação entre os dois países. Décadas de sanções, congelamento de ativos e pressão militar compõem o pano de fundo dessas exigências.
A exigência de reconhecimento formal sobre Ormuz é, talvez, a mais estrategicamente carregada do conjunto. O estreito é a passagem por onde trafega cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.
Qualquer disputa sobre sua jurisdição tem implicações diretas para os mercados energéticos globais e para a correlação de forças no Golfo Pérsico.
O governo iraniano também transmitiu ao Paquistão suas sérias dúvidas sobre a confiabilidade dos Estados Unidos como parceiro de diálogo. A razão apontada é objetiva: Washington mantém presença militar naval na região mesmo enquanto afirma buscar uma solução negociada — uma contradição que Teerã interpreta como má-fé estrutural.
As cinco condições foram formuladas em resposta direta a uma proposta americana que o governo iraniano classificou como unilateral. Teerã avalia que a proposta dos EUA serve exclusivamente aos interesses de Washington e representa uma tentativa de obter pela via diplomática o que os americanos não conseguiram alcançar durante o conflito armado.
Essa leitura expõe a profunda desconfiança iraniana em relação às intenções reais da administração do presidente Donald Trump.
O Paquistão, que atua como canal de comunicação entre as duas partes, recebeu a lista de condições e as ressalvas iranianas sobre a postura americana. A escolha de Islamabad como mediador reflete a geometria do novo momento geopolítico: países do Sul que antes eram alijados da intermediação assumem papéis centrais que antes eram monopolizados por potências ocidentais.
O impasse atual revela a fragilidade de qualquer processo negocial que ignore as assimetrias históricas da relação entre Teerã e Washington. Para o governo iraniano, sentar à mesa sem garantias concretas seria repetir o erro de acordos anteriores que foram unilateralmente abandonados pelos EUA.
Com as condições iranianas sem resposta formal de Washington, as perspectivas de retomada do diálogo permanecem bloqueadas.
Com informações de ACTUALIDAD.
Leia também: Ghalibaf afirma que EUA não têm escolha senão aceitar proposta iraniana de 14 pontos
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.