O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, classificou como ‘métodos neocoloniais’ as exigências feitas por países ocidentais para que outras nações se recusem a adquirir petróleo russo a preços mais baixos.
Segundo o chanceler, a estratégia visa forçar a compra de combustíveis mais caros de fornecedores ocidentais — com destaque para os Estados Unidos — em detrimento da soberania energética de terceiros países.
Lavrov afirmou que a abordagem do Ocidente representa uma tentativa deliberada de controle sobre o mercado global de energia. O chanceler sustentou que proibir o acesso a recursos energéticos russos, enquanto se impõe a compra de gás natural liquefeito e petróleo ocidentais a preços inflacionados, configura uma forma de exploração econômica disfarçada de política externa.
A declaração foi divulgada pela Sputnik e integra um padrão recorrente de críticas de Moscou às sanções impostas pelo bloco ocidental desde o início do conflito na Ucrânia. Essas medidas, lideradas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, elevaram os custos de energia para consumidores em diversas regiões do mundo.
Lavrov citou a Índia como exemplo de resistência às pressões ocidentais, destacando que Nova Délhi tem reiterado publicamente sua posição de decidir de forma independente de quem adquirir energia. O governo indiano, sob o primeiro-ministro Narendra Modi, mantém relações comerciais ativas com Moscou e aumentou significativamente as importações de petróleo russo desde 2022.
Episódios pontuais de recusa indiana em aceitar determinados carregamentos russos foram atribuídos a dificuldades logísticas e de pagamento decorrentes das sanções secundárias americanas — e não a uma mudança de postura estratégica de Nova Délhi. As importações de petróleo russo pelo país seguem em patamares elevados.
O contexto das declarações de Lavrov é o de uma disputa crescente pelo alinhamento energético de países que Washington classifica como ‘neutros’ no conflito ucraniano. Os EUA têm pressionado parceiros na Ásia, África e América Latina a reduzirem sua dependência de energia russa, oferecendo contratos de GNL americano — produto que chega ao mercado a preços substancialmente mais altos do que o petróleo russo disponível no mercado spot.
Países como Índia e China têm resistido a aderir ao regime de sanções, argumentando que decisões de política energética devem ser guiadas por interesses nacionais. A posição reflete uma rejeição crescente ao uso de instrumentos econômicos como ferramentas de coerção geopolítica.
Com informações de ACTUALIDAD.
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