Enquanto os Estados Unidos debatem isenções de imposto sobre gasolina para conter a alta dos combustíveis fósseis, o Brasil avança em outra direção: um navio nacional aposta em hidrogênio verde produzido a bordo como caminho para autonomia energética, conforme apurou a Revista Let’s Go Bahia.
A iniciativa coloca o Brasil no mapa de uma das fronteiras mais promissoras da descarbonização do transporte marítimo — setor que responde por cerca de 3% das emissões globais de CO₂ e que ainda depende quase integralmente do óleo combustível pesado.
A proposta é gerar o hidrogênio verde diretamente a bordo, eliminando a dependência de infraestrutura portuária de abastecimento — um gargalo que trava a adoção em escala da tecnologia em grande parte do mundo.
O contexto geopolítico reforça a urgência da aposta. Com o Estreito de Ormuz no centro de uma crise militar entre EUA e Irã, o Brent chegou a US$ 104 por barril, segundo o E-Investidor. A volatilidade fóssil empurra o custo de oportunidade da transição para baixo — e a atratividade do hidrogênio verde para cima.
O movimento brasileiro dialoga com o que já acontece em outras partes do Sul Global. O Uzbequistão, segundo a Euronews, conectou 5.600 megawatts de solar e eólica à rede nacional por meio de parcerias internacionais e agora direciona investimentos para armazenamento de energia — exatamente o elo que o hidrogênio verde pode completar.
Para o Brasil, país com costa de mais de 7.000 quilômetros, irradiação solar entre as maiores do planeta e potencial eólico offshore ainda pouco explorado, a produção de hidrogênio verde a bordo não é ficção científica — é uma vantagem comparativa esperando para ser industrializada.
Com informações de OILPRICE.
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