A Polícia Federal cumpriu 71 mandados de prisão e 165 de busca e apreensão em 16 estados, em uma das maiores ofensivas simultâneas já realizadas contra o crime organizado no país.
Batizada de Força Integrada 2, a operação reúne diferentes investigações coordenadas, mirando o tráfico de drogas, o comércio ilegal de armas e a lavagem de dinheiro. A ação dá continuidade a uma operação semelhante anterior, quando foram cumpridos 116 mandados de prisão e 174 de busca e apreensão.
Conforme apurou o Diário do Centro do Mundo, os mandados foram executados no Espírito Santo, Ceará, Amapá, Minas Gerais, Rondônia, Acre, Sergipe, Tocantins, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Paraná, Paraíba, Alagoas, Maranhão e Rio de Janeiro. Cada frente apura crimes distintos, com focos que variam conforme a realidade criminal de cada estado.
No Ceará, a PF cumpriu medidas cautelares em investigação sobre ameaças contra uma autoridade da segurança pública estadual. No Espírito Santo, a ação mira a logística de armamento de facções, com buscas em imóveis suspeitos de armazenar armas e explosivos.
Em Alagoas, a operação investiga receptação de equipamentos da Caixa Econômica Federal, falsificação de documentos e notas fiscais. Em Uberlândia, Minas Gerais, a PF atuou no combate ao tráfico interestadual e internacional de drogas, com destaque para as operações Paper Stone e Rota Andina.
Essas frentes apuram o uso de aeronaves, empresas de fachada e laranjas para movimentar recursos ilícitos. Segundo a corporação, as investigações apontam “o uso de logística aérea sofisticada, empresas de fachada e interpostas pessoas para ocultação patrimonial e movimentação de ativos ilícitos”.
Apenas na frente mineira, foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão e 22 de prisão. A Justiça determinou ainda o sequestro de cerca de R$ 98 milhões em ativos ligados ao tráfico.
Na Paraíba e em Minas Gerais, a Operação Trapiche cumpriu 20 mandados de prisão. No Rio Grande do Norte, a Operação Barba II mira uma organização criminosa interestadual e bloqueou aproximadamente R$ 13 milhões em bens, com alvos ligados ao tráfico, lavagem de dinheiro, roubo de cargas e obtenção irregular de registros de CACs.
As ações foram realizadas pelas FICCOs, forças-tarefa que reúnem Polícia Federal, polícias civis, militares e penais, Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais e secretarias estaduais de segurança pública. A estrutura integrada é considerada um dos pilares da nova estratégia federal de combate ao crime organizado.
A megaoperação ocorreu no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, no Palácio do Planalto, o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”. O plano prevê investimentos de R$ 11 bilhões e foi elaborado em conjunto com estados e especialistas da área de segurança pública.
O programa estrutura-se em quatro eixos: asfixia financeira das organizações criminosas, fortalecimento da segurança no sistema prisional, combate ao tráfico de armas e qualificação das investigações de homicídios. Do total previsto, R$ 1 bilhão sairá diretamente do Orçamento da União, enquanto outros R$ 10 bilhões serão disponibilizados em financiamentos pelo BNDES aos estados.
Lula havia afirmado ser preciso “destruir o potencial financeiro do crime organizado”, alertando que as facções “hoje viraram, em alguns casos, empresas multinacionais”. A sincronização entre a megaoperação e o lançamento do programa marca uma virada na estratégia de segurança pública do governo, que aposta na integração entre forças federais e estaduais como resposta estrutural ao avanço das organizações criminosas pelo território nacional.
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