Sheinbaum descarta extração forçada de Rocha Moya pelos EUA e rejeita clima de crise em Sinaloa

O governador com licença Rubén Rocha Moya fala com a imprensa em Sinaloa. (Foto: contralinea.com.mx)

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o governador com licença do estado de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, permanece em território mexicano enquanto aguarda o resultado das investigações conduzidas pela Fiscalía General de la República (FGR).

A declaração veio em resposta a questionamentos da imprensa sobre as acusações formuladas pelo governo dos Estados Unidos, que imputa ao político sinaloense supostas atividades ligadas ao narcotráfico e vínculos com o Cártel de Sinaloa.

Ao ser perguntada sobre a possibilidade de agências norte-americanas realizarem uma operação para extrair Rocha Moya do México — nos moldes do episódio envolvendo o narcotraficante Ismael ‘Mayo’ Zambada —, Sheinbaum foi direta: ‘não acreditamos que isso vá ocorrer; não deve ocorrer’. A resposta indica que o governo mexicano rejeita qualquer intervenção unilateral dos EUA em território soberano, conforme detalhou o portal Contralínea em sua cobertura do caso.

O caso Zambada é frequentemente citado como precedente no debate sobre soberania. O traficante foi retirado do México em circunstâncias que nunca foram plenamente esclarecidas, em uma operação que gerou protestos formais do governo mexicano à época.

Que Washington agora formule acusações contra um governador eleito democraticamente amplia a tensão diplomática entre os dois países em um momento já marcado por atritos em temas como migração, fentanil e comércio.

Sheinbaum também confirmou que uma propriedade atacada recentemente em Sinaloa pertence a Rocha Moya, mas acrescentou que o imóvel se encontra abandonado há aproximadamente dez anos. O governo federal mexicano indicou que o ataque ao bem não guarda relação direta com a situação atual do político.

Em tom firme, a presidente sublinhou a necessidade de distinguir informação verídica de conteúdo que, segundo ela, busca criar uma percepção artificial de crise. ‘É importante a informação e não a propaganda, nem o querer gerar esse ambiente de rumores que tendem a promover a ideia de que há mais problemas do que os que realmente existem’, declarou.

Sheinbaum também chamou atenção para o fluxo de desinformação que, segundo ela, sobrecarrega os mecanismos de verificação disponíveis. ‘É incrível a quantidade de mentiras que se dizem todos os dias’, afirmou, reforçando a preocupação do governo com o ambiente informacional em torno do caso.

Rocha Moya está com a licença do mandato ativa enquanto a FGR conduz suas apurações. O governo federal mexicano deixou claro que o processo seguirá pelos canais institucionais do país, sem interferência externa.


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