Sonda Psyche da NASA usa gravidade de Marte para acelerar rumo ao asteroide de ouro

A sonda Psyche da NASA em sua aproximação de Marte, em ilustração artística. (Foto: olhardigital.com.br)

A sonda Psyche, lançada em outubro de 2023, realizará na próxima sexta-feira (15) uma manobra de assistência gravitacional a apenas 4.500 km da superfície marciana — distância comparável à de satélites de navegação em relação à Terra.

A estratégia é clássica na exploração espacial: a nave aproveita a força gravitacional de Marte para ganhar velocidade sem consumir combustível extra. Com isso, a Psyche segue viagem de forma mais eficiente em direção ao asteroide 16 Psyche, localizado no cinturão principal de asteroides, entre Marte e Júpiter.

A sonda deve chegar ao seu destino em 2029. Apelidado de “asteroide de ouro”, o 16 Psyche desperta fascínio científico por concentrar grandes quantidades de metais, principalmente ferro e níquel.

Estima-se que o valor dos recursos minerais presentes no corpo celeste possa chegar a cerca de US$ 10 quintilhões — número que coloca em perspectiva a escala da economia global. A hipótese mais aceita entre os pesquisadores é que o asteroide seja o núcleo exposto de um antigo planeta que perdeu suas camadas externas após bilhões de anos de colisões espaciais.

Objetos desse tipo são considerados raros. Estudar o 16 Psyche pode revelar como se formaram os planetas rochosos do Sistema Solar, incluindo a Terra.

Atualmente, a sonda viaja a quase 20 mil km/h. Antes da aproximação com Marte, os engenheiros realizaram uma manobra de correção de trajetória em fevereiro, mantendo os propulsores ligados durante cerca de 12 horas para garantir o alinhamento correto.

Sarah Bairstow, integrante da equipe da missão no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, confirmou que todos os comandos necessários para as atividades de maio já foram enviados ao computador de bordo. O sobrevoo ocorrerá de forma autônoma, sem intervenção em tempo real da equipe em solo.

O sobrevoo não é apenas uma parada técnica no roteiro da missão. Conforme detalhou o Olhar Digital, a passagem por Marte representa uma oportunidade dupla: acelerar a viagem e testar os instrumentos científicos que serão fundamentais na fase principal da missão.

Entre esses instrumentos está um imageador multiespectral, capaz de registrar imagens em diferentes comprimentos de onda. Ele começou a observar Marte no início deste mês e deverá coletar milhares de registros durante a passagem.

Os cientistas também pretendem investigar um possível anel fino de poeira ao redor de Marte. A hipótese é que partículas liberadas por impactos de micrometeoritos nas luas marcianas Fobos e Deimos permaneçam em órbita, podendo refletir a luz solar e se tornar visíveis para os instrumentos da missão.

Além disso, a equipe utilizará a passagem para procurar pequenos satélites naturais próximos de Marte. Esse exercício servirá como treinamento direto para quando a Psyche iniciar buscas por possíveis pequenas luas orbitando o próprio asteroide 16 Psyche, em 2029, acumulando dados científicos valiosos muito antes de chegar ao destino principal.


Leia também: Missão Psyche da NASA registra imagem de Marte em aproximação gravitacional


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