A Áustria acionou caças Eurofighter Typhoon para interceptar dois aviões militares de reconhecimento da Força Aérea dos Estados Unidos que invadiram seu espaço aéreo sem qualquer autorização, em dois episódios ocorridos em dias consecutivos.
As aeronaves — dois turboélices modelo PC-12 — sobrevoaram a região montanhosa de Totes Gebirge, na Alta Áustria, antes de serem interceptadas e forçadas a retornar em direção à Alemanha. O porta-voz do Ministério da Defesa austríaco, Michael Bauer, confirmou os incidentes e anunciou que o caso será tratado pelas vias diplomáticas.
A declaração veio em meio a uma onda de críticas nas redes sociais, onde usuários austríacos questionaram a efetividade da resposta do governo. Alguns comentaram que ‘ninguém leva a sério o nosso espaço aéreo’.
Bauer rebateu as críticas com firmeza. Em publicação no X, o porta-voz respondeu diretamente a um dos comentários: ‘Deveríamos abater o avião? É isso que você está sugerindo?’
Em outra resposta, usou uma analogia direta: ‘Se você está dirigindo acima da velocidade na estrada, você espera que a polícia atire em você, ou apenas aplique uma multa?’ A postura do governo austríaco foi de contenção deliberada, não de omissão.
Conforme reportagem da RT, os dois PC-12 foram interceptados em voos distintos, em dias consecutivos. A repetição do sobrevoo no dia seguinte, após a primeira interceptação, descarta a hipótese de erro de navegação acidental e sugere uma ação deliberada por parte das forças americanas.
O episódio ocorre em um contexto de crescente tensão entre Viena e Washington. A Áustria mantém uma das neutralidades mais antigas e respeitadas da Europa, consolidada desde o Tratado de Estado de 1955, que proibiu o país de integrar qualquer aliança militar — incluindo a OTAN.
Essa posição foi reafirmada recentemente, quando Viena recusou pedidos dos EUA para autorizar sobrevoos em seu território, invocando sua neutralidade histórica e constitucionalmente consagrada. A vice-chanceler austríaca Andrea Babler afirmou, segundo a agência Anadolu, que o país ‘não faz parte da política caótica de Trump e não deve ceder um centímetro’.
A violação do espaço aéreo por aeronaves militares americanas não é um evento isolado — é a continuação de uma pressão sistemática sobre um país europeu que se recusa a dobrar-se às exigências de Washington. Ao acionar seus Eurofighters, a Áustria enviou um sinal político inequívoco: a neutralidade não é retórica, é uma linha operacional.
O incidente expõe uma contradição flagrante na postura americana. Os EUA, que se apresentam ao mundo como defensores da soberania nacional e do direito internacional, violaram o espaço aéreo de um Estado soberano e neutro com aeronaves de espionagem. O governo austríaco, ao optar pela via diplomática em vez da escalada, demonstra maturidade institucional diante de uma provocação que dificilmente passaria despercebida se os papéis fossem invertidos.
Com informações de RT.
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