Caso Master enfraquece Ciro Nogueira e abre guerra pela presidência do PP

O Centrão não perdoa vacilo — e o PP já ensaia a troca de comando antes mesmo de qualquer condenação. A operação da Polícia Federal que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, no âmbito do Caso Master, abriu uma disputa interna que revela o quanto o partido teme o custo eleitoral de carregar um dirigente investigado até 2026.

Conforme reportagem do Metrópoles, mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra o senador por suspeita de que ele atuou em favor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em troca de vantagens econômicas. Ciro nega as acusações — mas o partido já calcula o dano.

A candidata da vez

O nome que circula com mais força nos corredores do PP é o da senadora Tereza Cristina, eleita em 2022 pelo Mato Grosso do Sul com 60,94% dos votos válidos no estado — uma das votações mais expressivas do partido naquele ciclo. Ela reúne o que o PP precisa agora: mandato em curso, sem candidatura em 2026, e uma biografia política que não carrega o peso do escândalo.

A jurista e vereadora paulistana Janaína Paschoal foi direta ao defender a troca publicamente: ‘É preciso ter coragem de afastar o atual presidente, sem que isso implique reconhecimento de culpa. A meu sentir, não há nome melhor que o de Tereza Cristina.’ A declaração, feita nas redes sociais, funcionou como sinal de que a pressão não é apenas interna — ela já chegou ao espaço público.

O reflexo de 2022 e a máquina de 2026

O timing é crítico. O PP formalizou recentemente a ‘superfederação’ com o União Brasil, ampliando seu peso na correlação de forças para a montagem de chapas. Ciro Nogueira era peça central nessa articulação — e também era cotado para compor a chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, possivelmente como vice.

O envolvimento do presidente do partido num escândalo financeiro de grande repercussão complica esse cenário de forma estrutural. Não é apenas a imagem de Ciro que está em jogo — é a capacidade do PP de se apresentar como sócio confiável numa aliança que precisa de coesão para disputar o Executivo federal.

Os outros nomes no páreo

Além de Tereza Cristina, correligionários citam o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), que obteve 107.022 votos válidos em 2022 no Paraná, como alternativa. Há ainda o movimento do deputado Maurício Neves, presidente estadual do PP em São Paulo — mas aliados do próprio partido avaliam sua viabilidade como baixa: parlamentar de primeiro mandato, ele já acumulou atritos com o União Brasil, especialmente com o ex-vereador Milton Leite, principal liderança do União no estado.

A tensão entre PP e União Brasil em São Paulo é um dado que não pode ser ignorado. Leite chegou a ameaçar implodir a ala paulista da federação após sinalizações de Ciro sobre a disputa pelo comando da aliança no estado. Trocar o presidente nacional do PP por alguém que já está no centro desse conflito seria trocar uma crise por outra.

Por que isso importa

O PP não é um partido qualquer no mapa de 2026. É um dos pilares do Centrão que define quem tem tempo de TV, acesso ao Fundo Eleitoral e palanque nos estados. Uma crise de liderança no comando nacional — especialmente com a superfederação recém-formada — pode travar decisões que precisam ser tomadas nos próximos meses.

Tereza Cristina, se confirmada, assumiria o partido num momento em que ele precisa provar que consegue separar a gestão da legenda do ruído judicial do seu dirigente investigado. O PP tem máquina, tem aliados e tem peso eleitoral. O que ele não pode ter, a menos de um ano do início oficial da corrida presidencial, é um presidente que vira notícia pelas razões erradas.


Leia também: Operação da PF contra Ciro Nogueira expõe rachaduras na aliança da direita


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