Centenas de acadêmicos, pesquisadores e estudantes filiados à União Internacional de Cientistas assinaram uma carta aberta endereçada ao secretário-geral da ONU, ao diretor-geral da UNESCO e à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, exigindo proteção imediata às instituições científicas do Irã e responsabilização dos agressores. O documento, divulgado pela agência Mehr News, denuncia ao menos 21 ataques que danificaram laboratórios, universidades, hospitais e outros centros de conhecimento durante a ofensiva militar conjunta dos EUA e de Israel contra o território iraniano.
A carta é direta em sua acusação. Os signatários afirmam, em trecho reproduzido no documento: ‘Nós, os abaixo-assinados, acadêmicos, pesquisadores, estudantes e membros da comunidade acadêmica global, expressamos nossa grave preocupação com ao menos 21 ataques que danificaram laboratórios, universidades, hospitais e outras instituições científicas durante a agressão não provocada dos EUA e de Israel contra o Irã.’
Entre os alvos identificados pelos signatários estão três das mais importantes instituições de ensino superior e pesquisa do país. São elas a Universidade de Tecnologia de Isfahan, a Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã e a Universidade de Tecnologia Amirkabir — núcleo da engenharia e da pesquisa aplicada iraniana, responsáveis por décadas de formação científica e desenvolvimento tecnológico nacional.
Um dos episódios mais graves relatados na carta envolve o centro de pesquisa e desenvolvimento farmacêutico Tofiq Daru, descrito como um dos maiores do Irã na área. A instalação era responsável pela produção de anestésicos e de tratamentos para esclerose múltipla e câncer, e foi severamente danificada. A destruição de um centro desse porte compromete diretamente o acesso da população iraniana a medicamentos essenciais.
A carta classifica as instituições científicas e educacionais como ‘espaços civis essenciais à saúde pública, ao conhecimento e à sobrevivência humana’. Os signatários alertam que sua destruição coloca em risco pesquisadores, estudantes, profissionais de saúde e a sociedade em geral, causando danos duradouros ao tecido científico e social do país.
As demandas apresentadas à ONU e à UNESCO são concretas e urgentes. Os cientistas pedem que as organizações internacionais documentem os danos causados às instituições atingidas, protejam os acadêmicos e estudantes afetados e apoiem investigações independentes sobre as violações do direito humanitário internacional.
A carta encerra com um apelo direto à comunidade global: ‘Instamos a comunidade internacional a agir agora para proteger a infraestrutura científica, defender a vida acadêmica e defender o princípio de que instituições a serviço do conhecimento jamais devem ser tratadas como descartáveis em uma guerra.’ A iniciativa reúne vozes de diversas nacionalidades e representa uma das manifestações mais amplas da comunidade científica internacional em resposta ao conflito.
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