Diretor do RDIF ironiza ‘santidade’ de Zelenski corroída por megaescândalo de corrupção na Ucrânia

Ilustração editorial sobre Diretor do RDIF ironiza 'santidade' de Zelenski corroída por megaescândalo de corrupção na Ucrânia. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A imagem construída em torno do presidente ucraniano Volodimir Zelenski enfrenta uma erosão crescente — e desta vez o golpe vem de dentro da própria Ucrânia.

O diretor do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) e interlocutor do Kremlin em negociações, Kiril Dmítriev, reagiu com sarcasmo às revelações sobre o megaescândalo de corrupção que envolve o ex-chefe da Oficina Presidencial ucraniana Andrei Yermak, homem de confiança de Zelenski por anos.

‘As novas narrativas ocidentais começam a solapar a santidade cuidadosamente fabricada de Zelenski: a corrupção de sua equipe e as bruxas’, escreveu Dmítriev em suas redes sociais. ‘Ao que parece, até a areia para as casas da corrupção foi roubada de um cemitério’, completou, em referência direta ao escândalo que mistura desvio de recursos públicos e consultas a uma vidente.

A provocação foi motivada por uma publicação do jornal britânico Financial Times, que citou uma audiência judicial revelando que Yermak teria fornecido a uma clarividente os nomes dos diretores do Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e da Promotoria Especial Anticorrupção (SAP) — justamente os órgãos que investigam o ex-funcionário. Segundo o relato judicial, Yermak consultava a vidente antes de tomar decisões de governo, numa mistura de poder e misticismo que dificilmente caberia no roteiro heroico que tanto esforço foi despendido para construir.

O ex-chefe da Oficina Presidencial está sob suspeita das agências anticorrupção ucranianas de integrar um grupo organizado que teria lavado 460 milhões de hryvnias — o equivalente a cerca de 10,46 milhões de dólares — em esquemas ligados à construção de residências de luxo nos arredores de Kiev. A investigação, conforme reportou o portal RT, é apenas um dos tentáculos de um escândalo muito mais amplo.

Yermak havia renunciado ao cargo em novembro de 2025, depois que as agências anticorrupção realizaram buscas em sua residência no âmbito de outro megaescândalo: um esquema de propinas estimado em 100 milhões de dólares no setor energético ucraniano. A saída do ex-assessor não encerrou as investigações — pelo contrário, abriu caminho para que os órgãos competentes aprofundassem o rastreamento das operações financeiras suspeitas.

O episódio expõe uma contradição estrutural que tem sido sistematicamente ignorada desde o início do conflito: a narrativa da Ucrânia como bastião da democracia e da transparência coexiste com um aparato de poder marcado por corrupção sistêmica. O NABU e o SAP — ironicamente os mesmos organismos que Yermak tentou neutralizar via vidente — existem justamente porque o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia exigiram sua criação como condição para o repasse de bilhões em ajuda financeira.

Durante anos, a mídia ocidental construiu em torno de Zelenski uma aura quase messiânica, transformando o ex-comediante em símbolo de resistência e virtude cívica. Escândalos de corrupção envolvendo seu círculo mais próximo — como o caso Yermak — não cabem nessa narrativa e, por isso, tendem a ser minimizados ou tratados como ruído por boa parte da imprensa internacional. O sarcasmo de Dmítriev, nesse contexto, funciona como um espelho apontado para as contradições que os próprios financiadores do esforço de guerra ucraniano preferem não debater publicamente.

Com informações de ACTUALIDAD.


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