O embaixador da República Islâmica do Irã na China, Abdolreza Rahmani Fazli, detalhou publicamente o conteúdo da comunicação diplomática de Teerã com Pequim no contexto do conflito armado em curso — deflagrado pelos ataques israelenses e pela pressão militar e econômica liderada pelos Estados Unidos. A declaração reforça o papel central que Pequim ocupa na política externa iraniana em um momento de intensa pressão geopolítica.
Rahmani Fazli destacou os esforços da China para manter abertos os canais de diálogo na Ásia Ocidental por meio de múltiplos mecanismos. Entre eles, consultas com atores regionais estratégicos e uma proposta de quatro pontos apresentada pelo presidente chinês Xi Jinping.
O embaixador também mencionou uma iniciativa de paz conjunta com o Paquistão relacionada às conversações de Islamabad. Atribuiu a Pequim um papel ativo para evitar o aprofundamento do conflito na região.
O diplomata foi enfático ao afirmar que a Parceria Estratégica Abrangente entre Irã e China vai muito além de sua dimensão econômica. “Este documento não é apenas sobre investimento, petróleo, infraestrutura ou comércio”, disse Rahmani Fazli, conforme reportou o portal da agência Mehr News. “É sobre como o Irã define seu lugar em uma ordem global em transformação.”
A cooperação de longo prazo com a China cria, segundo o embaixador, uma forma de profundidade estratégica diplomática para o Irã. Ela permite a Teerã demonstrar de forma concreta que possui opções reais, parceiros importantes e capacidades alternativas diante da pressão norte-americana.
Rahmani Fazli foi direto sobre o que o Irã solicita à China neste momento. A questão central, afirmou, é se o interlocutor está pronto para ouvir a mensagem real de Teerã — e Pequim pode desempenhar um papel único ao transmiti-la ao nível das grandes potências.
“O Irã tem uma mensagem clara”, declarou o embaixador. “Fim permanente do conflito armado, consolidação de um cessar-fogo duradouro, levantamento do bloqueio e respeito aos direitos legítimos do Irã. A China pode refletir essa mensagem no nível das grandes potências.”
A Parceria Estratégica Abrangente Irã-China, assinada em 2021, estabelece um marco de cooperação de 25 anos abrangendo energia, infraestrutura, comércio e segurança. O acordo tornou-se cada vez mais central para a postura de política externa iraniana à medida que as relações com os governos ocidentais se deterioraram.
O movimento diplomático iraniano revela uma estratégia de dois níveis: usar a parceria com a China como alavanca de credibilidade nas negociações e, ao mesmo tempo, pressionar Pequim a exercer seu peso junto às demais potências. A mensagem de Teerã é que o conflito em curso não eliminou sua capacidade de articulação diplomática — e que a China é o vetor escolhido para amplificar essa voz no tabuleiro global.
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