Um grampo telefônico colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no centro de mais uma crise financeira, envolvendo um personagem identificado pelo jornalista Moisés Mendes como Vorcaro, banqueiro apontado como investigado e com ligações ao crime organizado.
A conversa interceptada mostra o senador solicitando recursos adicionais ao banqueiro para que um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro pudesse ser concluído. O argumento usado foi o de que a família corria o risco de dar calote em contratos e perder o elenco e a equipe da produção.
O episódio é descrito em detalhes pelo jornalista Moisés Mendes no Diário do Centro do Mundo. O caso é enquadrado como o obstáculo mais novo e mais inesperado da trajetória política de Flávio.
Segundo a análise de Mendes, o senador já havia recebido R$ 61 milhões do banqueiro antes de solicitar o aporte extra. Mesmo assim, alegava risco de inadimplência com fornecedores do projeto cinematográfico.
O que torna o episódio revelador, segundo Mendes, não é apenas o valor envolvido, mas o tom da conversa captada pelo grampo. Flávio aparece pedindo os recursos “meio sem graça, como quem pede uns trocados a um amigo para fechar o mês”, nas palavras do próprio colunista. A ligação foi encerrada com um “fique com Deus” — despedida cristã que contrasta com o caráter do negócio tratado.
Vorcaro, até então associado principalmente ao centrão e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), emerge agora como figura central no financiamento de um projeto da família Bolsonaro. A conexão revelada pelo grampo surpreendeu, segundo o colunista, até os adversários mais atentos do clã.
Flávio Bolsonaro acumula um histórico extenso de investigações. O caso mais conhecido é o das “rachadinhas”, esquema de desvio de salários de assessores quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro, com suspeitas de envolvimento de milicianos de Rio das Pedras.
Na avaliação de Mendes, foi justamente um negócio cinematográfico — e não as conexões com milícias — que pode ter produzido o dano mais grave à sua candidatura presidencial. O senador vinha se movimentando com cautela na pré-campanha para 2026, mantendo um perfil discreto e evitando declarações mais ousadas.
Mendes sugere que essa postura era calculada: Flávio sabia que havia “pregos por toda parte” em seu caminho e que qualquer movimento mais brusco poderia ser fatal para suas ambições eleitorais. O grampo com Vorcaro representa exatamente o tipo de exposição que o senador tentava evitar.
Jair Bolsonaro está inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Flávio era tratado como a principal alternativa para manter o bolsonarismo competitivo na disputa pelo Palácio do Planalto em outubro de 2026. Com a conversa interceptada tornada pública e a figura de um banqueiro investigado no centro da trama, esse projeto enfrenta agora, na avaliação do colunista, seu teste mais severo.
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