Pesquisa Indexa mostra Lula consolidando vantagem sobre Flávio Bolsonaro

23.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Hospital Santa Marcelina, em São Paulo - SP. Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

Nova rodada nacional da Indexa Pesquisas reforça um movimento que vem aparecendo de forma cada vez mais consistente nos levantamentos eleitorais: o presidente Lula segue ampliando, de maneira gradual, sua vantagem na corrida de 2026.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Em maio, o placar era de 39% a 30%.

A vantagem, portanto, passou de 9 para 11 pontos percentuais. É um crescimento modesto, mas politicamente relevante porque ocorre junto com a queda dos indecisos, que recuaram de 10% para 6%.

Ronaldo Caiado aparece com 5%, seguido por Romeu Zema e Renan Santos, ambos com 3%. Joaquim Barbosa e Augusto Cury têm 1% cada, enquanto Samara Martins e Cabo Daciolo não pontuam.

No segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula também melhora sua posição. O petista vai de 46% para 47%, enquanto Flávio recua de 41% para 40%.

Com isso, a vantagem de Lula no confronto direto sobe de 5 para 7 pontos. Nulos e brancos ficam em 9%, e os indecisos permanecem em 4%.

Um dos dados mais importantes da pesquisa está no grau de decisão do eleitorado. Entre os eleitores de Lula, 81% dizem que o voto já está decidido, contra 74% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro.

Ou seja, além de liderar, Lula tem hoje um eleitorado mais firme. Apenas 19% dos seus eleitores admitem que podem mudar de voto, enquanto esse percentual sobe para 26% entre os apoiadores de Flávio.

A fidelidade em relação a 2022 também favorece o presidente. No primeiro turno, 84% dos que votaram em Lula dizem que votariam nele novamente, enquanto 69% dos que votaram em Jair Bolsonaro declaram voto em Flávio.

No segundo turno, Lula retém 93% de seus eleitores de 2022. Flávio Bolsonaro retém 85% dos eleitores de Jair Bolsonaro.

Regionalmente, Lula mantém uma vantagem expressiva no Nordeste, onde marca 52% no primeiro turno, contra 26% de Flávio. No Norte, Lula também lidera com 45%, contra 30%.

No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, o dado é politicamente relevante: Lula tem 38% no primeiro turno, seis pontos à frente de Flávio, que aparece com 32%. No segundo turno, Flávio marca 44% e Lula 42%, diferença dentro da margem de erro.

Isso mostra que a direita ainda encontra força no Sudeste, mas não consegue abrir ali uma vantagem confortável. Para Lula, sustentar competitividade na região é decisivo.

No Sul, Lula e Flávio aparecem praticamente empatados no primeiro turno, com 37% a 36%. No Centro-Oeste, o placar é de 35% para Lula e 34% para Flávio.

A pesquisa também mostra Lula à frente entre as mulheres, com 45% contra 28% de Flávio. Entre os homens, a disputa é mais apertada: 38% a 34% para Lula.

Por faixa etária, Lula lidera em todos os grupos. Entre os jovens de 16 a 24 anos, tem 42%, contra 27% de Flávio.

No eleitorado com ensino superior, Lula registra 45%, contra 30% de Flávio. Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, o presidente tem 43%, contra 28%.

O recorte religioso confirma uma das principais dificuldades do campo progressista: entre evangélicos, Flávio lidera por 44% a 28%. Mas Lula vence entre católicos, sem religião e outros grupos religiosos.

Outro ponto importante é o desempenho de Lula no eleitorado de centro. No primeiro turno, ele tem 35% nesse segmento, contra 16% de Flávio; no segundo turno, vence por 47% a 32%.

Esse dado indica que a polarização segue forte, mas Lula conserva maior capacidade de atração fora de sua base ideológica imediata. A terceira via, por enquanto, continua fragmentada e sem força nacional.

A Indexa ouviu 2.000 eleitores entre 18 e 20 de junho. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-08944/2026, tem margem de erro de cerca de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O levantamento custou R$ 164 mil e foi realizado com recursos próprios do Instituto Indexa Pesquisas. Não chega ao patamar de pesquisas nacionais mais caras, como as do Datafolha, que superam R$ 300 mil, mas está longe de ser um levantamento barato ou improvisado.

O conjunto dos dados aponta para uma tendência clara: Lula não cresce de forma explosiva, mas consolida uma vantagem lenta, firme e cada vez mais difícil de ignorar.

 

 

Para baixar a íntegra da pesquisa Indexa, clique aqui.

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.