O chanceler do Irã advertiu que os Emirados Árabes Unidos serão responsabilizados pela aproximação com Israel, depois que o gabinete de Benjamin Netanyahu confirmou uma visita ao país do Golfo descrita como histórica. O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados negou a visita, aprofundando a crise diplomática e criando uma contradição direta com a versão israelense.
O chanceler iraniano classificou a cumplicidade com Israel como imperdoável. Afirmou que Netanyahu apenas tornou público o que os serviços de inteligência da República Islâmica já sabiam.
Segundo acompanhamento da Al Jazeera, Teerã reagiu com dureza à revelação. A negação emiradense, para o governo iraniano, não apaga o que o próprio gabinete israelense divulgou.
O vice-presidente primeiro do Irã, Mohammad Reza Aref, também entrou na ofensiva diplomática. Ele afirmou que o direito da República Islâmica sobre o Estreito de Ormuz é estabelecido e que o assunto está encerrado.
A declaração é um recado direto a qualquer potência que cogite pressionar Teerã a abrir mão do controle sobre o corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. O Estreito de Ormuz é a rota de maior sensibilidade na geopolítica energética global.
A visita teria ocorrido em meio a uma fase ativa de ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano. Se confirmada a presença de Netanyahu em Abu Dhabi, o episódio representaria um sinal claro de coordenação regional contra a República Islâmica.
Para Teerã, a contradição entre a afirmação israelense e a negação emiradense não dissolve a responsabilidade política dos Emirados — ela a agrava. Qualquer bloqueio iraniano no Estreito afetaria diretamente o fornecimento de petróleo para Europa, Ásia e os próprios países do Golfo, transformando a declaração de Aref em instrumento de dissuasão contra novas agressões.
A crise expõe as fissuras internas do eixo dos Acordos de Abraão, a normalização diplomática entre Israel e países árabes do Golfo patrocinada pelos Estados Unidos. Enquanto Abu Dhabi tenta sustentar uma postura de distância diante da escalada regional, Netanyahu parece deliberadamente interessado em tornar pública a aliança.
A linha de Teerã é clara: qualquer governo que facilite ou encubra operações militares contra a República Islâmica será tratado como parte do conflito, e não como mediador neutro.
Com informações de Al Jazeera.
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