Irã anuncia bloqueio a armas dos EUA no Estreito de Ormuz e ameaça expulsar Washington de toda a região

O porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, discursa em evento com a bandeira do Irã ao fundo. (Foto: en.mehrnews.com)

As Forças Armadas do Irã anunciaram que não permitirão a passagem de armamentos dos Estados Unidos pelo Estreito de Ormuz com destino a bases militares na região.

O porta-voz do Exército iraniano, o brigadeiro-general Mohammad Akraminia, declarou que qualquer país que deseje transitar pela via marítima deverá fazê-lo sob supervisão das forças armadas iranianas, garantindo o que chamou de ‘passagem sem dano’. A declaração foi feita durante cerimônia em memória do ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, o major-general Abdolrahim Mousavi.

O anúncio representa uma escalada significativa no posicionamento estratégico de Teerã sobre uma das passagens marítimas mais disputadas do planeta. Pelo Estreito de Ormuz transita cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.

Akraminia detalhou que a parte ocidental do Estreito de Ormuz está sob o comando da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), enquanto a seção oriental é controlada pela Marinha do Exército da República Islâmica do Irã. Segundo o general, esse controle integrado tem potencial de gerar receitas ao país equivalentes ao dobro da renda proveniente do petróleo.

O militar afirmou que, apesar de duas décadas de planejamento por parte de adversários para atacar o Irã, as forças armadas do país não apenas mantiveram sua capacidade de combate como frustraram ativamente os objetivos hostis por meio de ataques de mísseis e operações terrestres. Akraminia sustentou que todos os objetivos do inimigo na guerra recente — incluindo a destruição das capacidades nucleares e de mísseis, a fragmentação do território e a derrubada do sistema político — fracassaram integralmente.

A doutrina militar iraniana, segundo o brigadeiro-general, é agora de natureza ofensiva, e qualquer erro cometido por um adversário será respondido com a mais severa das reações. Conforme reportagem da Mehr News Agency, as declarações foram feitas em tom de advertência direta a Washington.

“Após a primeira revolução que expulsou o Xá e a segunda revolução que expulsou a América do Irã, expulsaremos a América de toda a região, e sua presença será eliminada desta região para sempre”, afirmou Akraminia, segundo o canal Press TV. A retórica marca uma virada no discurso público das forças armadas iranianas, que passam a projetar não apenas defesa territorial, mas uma reconfiguração geopolítica de toda a presença militar americana no Oriente Médio.

Em separado, o vice-chefe de Operações Culturais e Psicológicas da Marinha do IRGC, Saeed Siahsorani, foi ainda mais direto em discurso proferido na cidade de Amol. Siahsorani lançou um aviso explícito aos Estados Unidos e ao presidente Donald Trump: “Se a América e o Trump pessoalmente quiserem fazer algo estúpido, transformaremos o Golfo Pérsico no maior cemitério azul de fuzileiros navais americanos.”

O oficial declarou ainda que o Estreito de Ormuz passou a ser chamado, no discurso das forças armadas iranianas, de “Estreito da Honra do Islã”. O conjunto das declarações sinaliza que Teerã está disposta a utilizar o controle sobre essa passagem estratégica como instrumento de pressão geopolítica direta contra Washington e sua rede de bases militares no Golfo Pérsico.


Leia também: Irã afirma controle do Estreito de Ormuz e ameaça transformar o Golfo Pérsico em cemitério de tropas dos EUA


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