O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que as ações militares conduzidas por Washington e Tel Aviv contra o Irã tiveram um objetivo deliberadamente ocultado: impedir que Teerã normalizasse suas relações com os países do Golfo Pérsico.
A declaração foi dada em entrevista à RT India e aprofunda a leitura geopolítica do chanceler russo sobre o conflito, que ele classificou como ‘agressão não provocada’.
‘Não tenho dúvidas de que, quando os planos para instigar a agressão contra o Irã estavam sendo tramados, um dos objetivos era impedir a normalização das relações entre o Irã e os Estados árabes’, disse Lavrov. ‘Agora, tudo está sendo feito para garantir que essa reconciliação jamais aconteça.’
Conforme reportagem da RT, Lavrov também acusou Washington de pressionar os países árabes para que ‘traíssem a causa palestina’ em troca de uma aproximação com Israel. O chanceler descreveu a estratégia americana como ‘neocolonial’, voltada a forçar nações soberanas a comprar ‘petróleo e gás natural liquefeito americanos caros em vez do petróleo russo barato’.
‘Eles buscam governar o mundo controlando o fornecimento global de energia’, completou Lavrov. Na sua leitura, a pressão sobre o Irã não é um episódio isolado, mas parte de uma arquitetura de dominação energética e política que Washington exerce sobre o Oriente Médio há décadas.
O chanceler russo descreveu a resposta militar iraniana às ações de EUA e Israel como um ato de legítima defesa diante de uma agressão sem justificativa. Lavrov não poupou críticas ao que chamou de duplo padrão ocidental: potências que pregam ‘ordem baseada em regras’ enquanto conduzem operações militares contra Estados soberanos sem mandato do Conselho de Segurança da ONU.
A análise de Lavrov insere o conflito em um contexto mais amplo de disputa pela influência no mundo árabe. Segundo o chanceler, Washington apostou que os países do Golfo, pressionados e intimidados, se afastariam definitivamente de Teerã e se alinhariam ao projeto israelense na região — um cálculo que, na sua avaliação, subestima a autonomia e os interesses próprios dessas nações.
O ministro russo também destacou que a aproximação entre Irã e países árabes, mediada nos últimos anos com participação ativa da China, representava uma ameaça direta à hegemonia americana no Oriente Médio. Ao atacar o Irã, argumentou Lavrov, EUA e Israel tentaram reverter um processo de recomposição regional que escapava ao controle de Washington.
A entrevista reforça a posição de Moscou de que o conflito no Oriente Médio não pode ser compreendido fora do quadro de disputa geopolítica global. Na visão russa, os EUA utilizam a força militar e a pressão econômica para manter sua posição dominante sobre regiões estratégicas — especialmente aquelas ricas em energia e em rotas de comércio internacional.
Com informações de RT.
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