Lavrov denuncia que EUA buscam dominar todas as rotas energéticas do mundo

Bandeira dos Estados Unidos em uma refinaria de petróleo, simbolizando a indústria energética. (Foto: actualidad.rt.com)

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que os Estados Unidos perseguem abertamente o objetivo de dominar os mercados energéticos mundiais e nem sequer escondem essa meta. Segundo o chanceler russo, esse propósito está expresso em documentos doutrinais oficiais de Washington, que proclamam diretamente a necessidade de controle sobre as artérias globais de fornecimento.

Em entrevista concedida ao portal RT, Lavrov detalhou que uma das metas centrais da estratégia norte-americana foi retirar as gigantes energéticas russas, como a Lukoil e a Rosneft, de todos os negócios internacionais. O chanceler citou ainda as operações de Washington na Venezuela e no Irã como peças da mesma engrenagem geopolítica.

‘Agora ninguém mais lembra que a operação realizada pelos EUA tinha como objetivo desmantelar o narcotráfico que supostamente era dirigido pelo presidente Maduro’, ironizou Lavrov. O ministro observou que, na prática, o que se vê hoje é uma cooperação aberta entre Caracas e Washington, com a empresa petrolífera nacional venezuelana organizando suas atividades futuras em coordenação com os norte-americanos.

O chefe da diplomacia russa também questionou duramente o pretexto utilizado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para promover a agressão contra o Irã. Segundo Lavrov, Trump justificou a ofensiva alegando que Teerã ‘aterrorizava o mundo há 47 anos’, narrativa que ignora completamente os fatos materiais do comércio energético global.

O chanceler lembrou que o estreito de Ormuz permanecia aberto a todos os navios e operava normalmente como artéria estratégica do petróleo mundial. Por essa passagem marítima escoa cerca de um quinto de todo o fornecimento de recursos energéticos aos mercados internacionais, segundo dados citados pelo ministro russo.

‘O estreito não estava fechado’, enfatizou Lavrov, ao rebater as exigências atuais de Washington para que o Irã reabra a importante via marítima. O diplomata acrescentou que ‘sempre é importante observar as causas iniciais’ dos acontecimentos, em referência clara à inversão narrativa promovida pela Casa Branca para justificar suas operações militares na região.

A análise de Lavrov se estende ainda ao teatro europeu do conflito, onde os interesses energéticos aparecem mascarados sob o verniz da guerra na Ucrânia. Segundo o ministro, os norte-americanos aspiram ‘tirar da Ucrânia o gasoduto de trânsito da Rússia para a Europa, para controlar também esses dutos’.

‘O objetivo dos EUA de se apoderar de todas as rotas energéticas que tenham a mínima importância fica totalmente claro’, concluiu o chanceler. A declaração sintetiza a leitura de Moscou sobre a arquitetura por trás dos conflitos contemporâneos, segundo a qual o controle das vias de escoamento de petróleo e gás constitui o eixo real das movimentações militares e diplomáticas norte-americanas.

A fala do ministro russo se inscreve num momento em que a multipolaridade energética avança como vetor estratégico do BRICS. A Rússia, segundo maior produtor mundial de petróleo, vem redirecionando seus fluxos comerciais para China, Índia e parceiros asiáticos, na esteira das sanções ocidentais que tentaram, sem sucesso, isolar economicamente Moscou.

A acusação de Lavrov expõe ainda um padrão recorrente da política externa de Washington, no qual operações vendidas ao público sob justificativas humanitárias, antinarcóticos ou antiterroristas terminam sistematicamente em rearranjos de propriedade e controle sobre recursos naturais estratégicos. A Venezuela, detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, e o Irã, peça central do mercado de hidrocarbonetos do Golfo Pérsico, são os exemplos mais nítidos dessa engenharia descrita pelo chanceler russo.

Com informações de ACTUALIDAD.


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