Lula revoga taxa das blusinhas e PT avalia alívio político para Haddad em São Paulo

Fernando Haddad durante pronunciamento. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória revogando a cobrança do Imposto de Importação sobre compras internacionais online, o tributo que ficou conhecido popularmente como ‘taxa das blusinhas’. A decisão foi recebida com alívio dentro do PT, especialmente entre os integrantes que acompanham a construção da provável candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo de São Paulo em 2026.

A cobrança havia entrado em vigor em agosto de 2024 e se tornou rapidamente um dos alvos mais explorados pela oposição contra o campo petista. Haddad, que à época chefiava o Ministério da Fazenda, foi associado diretamente à criação do tributo e passou a carregar o desgaste da medida como um peso político específico no estado mais disputado do país.

A avaliação interna do PT, segundo análise publicada pelo Diário do Centro do Mundo, é que o fim da taxa não apaga completamente o desgaste acumulado, mas reduz de forma significativa a força do ataque. Sem a cobrança em vigor, fica mais difícil para adversários sustentarem a narrativa de que Haddad representa aumento da carga tributária sobre o consumo popular.

O governo justificou a revogação com base em dois argumentos centrais: o avanço na regularização do comércio eletrônico internacional e o combate ao contrabando. A mudança foi associada pelo governo à defesa do consumo popular e à regularização do mercado digital.

A disputa política em São Paulo tende a colocar Haddad frente a frente com o governador Tarcísio de Freitas, que vem construindo sua imagem como principal alternativa de direita ao campo lulista no estado. A associação de Haddad ao aumento de tributos era uma das ferramentas mais recorrentes usadas por Tarcísio e por aliados para desgastar o ex-ministro antes mesmo de a campanha formal começar.

Com a medida provisória assinada por Lula, o PT avalia que esse ângulo de ataque perde força considerável. A leitura interna é que a decisão beneficia o presidente em âmbito nacional, ao responder a uma insatisfação que vinha se acumulando nas redes sociais e entre consumidores de plataformas como Shein e Shopee.

A cobrança havia gerado reação negativa ampla, especialmente entre consumidores de baixa e média renda que utilizam plataformas de comércio eletrônico internacional para acessar produtos mais baratos. O movimento é lido também como uma resposta estratégica do governo a pressões acumuladas desde a implementação do tributo.

A eleição para o governo de São Paulo em 2026 é considerada uma das disputas mais relevantes do ciclo eleitoral brasileiro. O estado concentra o maior colégio eleitoral do país, e o confronto entre Haddad e Tarcísio, caso se confirme, deve definir em grande medida o equilíbrio de forças entre o campo petista e a direita bolsonarista no plano nacional.


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