Lula zera imposto sobre compras de até US$ 50 e reverte a taxa das blusinhas para reconquistar eleitor pobre

O presidente Lula e autoridades posam com documento em evento oficial. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou o imposto federal sobre compras internacionais de até 50 dólares realizadas em plataformas como Shopee, Shein e AliExpress.

A medida reverte a chamada ‘taxa das blusinhas’, que cobrava 20% sobre essas transações e havia se tornado um dos pontos mais negativos da gestão nos levantamentos internos do Palácio do Planalto.

A decisão foi anunciada pelo próprio Lula nas redes sociais, com a declaração de que ‘o governo está do lado do povo brasileiro’. A isenção beneficia diretamente consumidores das classes C, D e E — exatamente o público que mais utiliza essas plataformas de comércio eletrônico internacional.

Em análise publicada no UOL e reproduzida pelo Diário do Centro do Mundo, o jornalista Leonardo Sakamoto aponta que a criação original da taxa foi um erro político grave. Segundo ele, a cobrança comprometeu a inclusão pelo consumo — uma das promessas centrais de Lula — ao onerar justamente quem não tem acesso ao consumo de luxo importado.

A contradição era evidente: enquanto consumidores de baixa renda pagavam 20% sobre uma blusa de 30 dólares, viajantes de classe média alta podiam trazer até mil dólares em compras do exterior sem tributação adicional em viagens aéreas ou marítimas. A assimetria foi amplamente explorada pela oposição e alimentou a percepção de injustiça fiscal entre o eleitorado mais pobre.

A revogação da taxa integra um conjunto mais amplo de sinalizações políticas do governo em direção às camadas populares. O programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas e ao alívio do superendividamento, e o debate em torno do fim da escala de trabalho 6 por 1 compõem o mesmo movimento estratégico. Medidas de crédito para motoristas de aplicativo também entram nesse cálculo político.

Sakamoto reconhece que a correção de rota tem motivação eleitoral clara, diante do avanço de candidaturas da direita nas pesquisas para 2026. Mas pondera que o eleitorado de baixa renda é pragmático: sabe quando está sendo cortejado, mas também sabe que o ano eleitoral é o momento de arrancar conquistas concretas dos políticos.

O diagnóstico central da análise é que o crescimento do PIB e a queda do desemprego não foram suficientes para gerar a percepção de melhora na qualidade de vida. A inflação corroeu o poder de compra, o endividamento cresceu — agravado pelo fenômeno das bets, que o jornalista descreve como ‘o maior programa de transferência de renda de pobres para ricos da História’ — e o trabalhador sente que o salário desaparece no momento em que paga os boletos.

O argumento de fundo é que o povo não come PIB, mas alimentos. A força de um governo depende da capacidade de devolver ao trabalhador a sensação de que seu esforço vale a pena.

Há um segmento do eleitorado que não está polarizado e que foi determinante para a vitória de Lula em 2022. Esse grupo de comportamento pendular pode tanto se conectar ao discurso de costumes da direita quanto às promessas de conforto econômico do presidente — e é por esse eleitor que a disputa de 2026 será vencida ou perdida.


Leia também: Lula assina MP e zera taxa das blusinhas


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Redação:
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