NASA libera mais de 12 mil fotos da missão Artemis 2 e revela eclipses e crateras nunca vistas

Ilustração editorial sobre NASA libera mais de 12 mil fotos da missão Artemis 2 e revela eclipses e crateras nunca vistas. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O mundo conteve a respiração quando a NASA lançou a missão Artemis 2, enviando humanos em direção à Lua pela primeira vez desde 1972. Os quatro astronautas a bordo da espaçonave Orion — Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense — completaram um arco ao redor do satélite natural, aproximando-se a apenas 4.067 milhas de sua superfície.

A missão concluiu-se com sucesso em 10 de abril, e a partir desse momento o relógio começou a correr para que a equipe científica lunar liberasse o conjunto completo de dados em até seis meses. Conforme revelou a Smithsonian Magazine, mais de 12 mil imagens foram adicionadas ao banco de dados chamado Gateway to Astronaut Photography of Earth, abrindo uma janela sem precedentes para o público global.

Durante o voo, os astronautas enviaram algumas fotografias à Terra em tempo real, mas os limites de transmissão de dados impediram o envio do acervo completo. A maior parte das imagens só pôde ser entregue por meio de cartões de memória físicos após o retorno da tripulação ao planeta, segundo informou o portal Space.com.

O acervo foi capturado com um arsenal impressionante de equipamentos: duas câmeras Nikon D5, uma Nikon Z9 e GoPros fixadas no exterior da espaçonave, além de iPhones usados pelos próprios astronautas durante a jornada. Os números de identificação das fotos vão de ART002-E-168 a ART002-E-30001, o que sugere que novas imagens ainda podem ser acrescentadas ao banco de dados nos próximos meses.

Entre os registros mais aguardados estão os 30 alvos da superfície lunar que a tripulação foi orientada a fotografar, incluindo duas crateras de impacto antigas que ajudarão os cientistas a compreender como as feições da Lua se transformam ao longo do tempo. A cientista planetária Kelsey Young, do NASA Goddard Space Flight Center e responsável pela ciência lunar da Artemis 2, descreveu a experiência de contemplar as imagens com uma intensidade quase poética: ‘É difícil não simplesmente derreter numa poça de admiração e assombro diante de algumas das mais espetaculares’, disse ela à Scientific American.

Uma das fotografias mais comentadas é a chamada ‘Hello, world’, uma das primeiras enviadas pela tripulação à equipe em Terra. A imagem mostra o planeta numa perspectiva de cabeça para baixo, com o norte da África e a Espanha à esquerda, o Oceano Atlântico ao centro e partes da América do Sul à direita, além de duas auroras verdes simétricas em lados opostos do globo enquanto a Terra eclipsa o Sol.

Outro registro de tirar o fôlego é o que os cientistas chamam de ‘Earthset’ — termo raro fora do vocabulário da exploração espacial — que mostra a Terra parecendo mergulhar abaixo do horizonte lunar. A cena ecoa as icônicas fotos do ‘Earthrise’ tiradas pela tripulação da Apollo 8 há quase seis décadas, quando o astronauta William Anders exclamou em 1968: ‘Oh meu Deus, olha aquela imagem ali! A Terra está surgindo. Uau, que lindo!’

Em 6 de abril, a tripulação testemunhou um eclipse solar que jamais será visível para os humanos na Terra, segundo a BBC Sky at Night Magazine. Durante um eclipse solar visto da Terra, os observadores sempre enxergam o mesmo lado da Lua deslizar à frente do Sol, pois essa é a face permanentemente voltada para o nosso planeta. Os astronautas da Artemis 2, no entanto, viram o Sol desaparecer por quase uma hora atrás de um lado completamente diferente da Lua, uma experiência única na história da exploração espacial.

A missão também registrou a proposta de nomes para duas crateras lunares feita pela própria tripulação: Integrity, em homenagem à espaçonave Orion, e Carroll, em memória da falecida esposa do astronauta Reid Wiseman, Carroll Taylor Wiseman. Ambas aparecem em imagens da superfície lunar próximas à enorme bacia Orientale, e a União Astronômica Internacional, responsável por nomear corpos celestes e suas feições, ainda decidirá se os títulos se tornarão oficiais.

O acervo também inclui rastros de estrelas borradas cruzando o céu e a Via Láctea em toda a sua extensão, capturados em longas exposições que revelam os caminhos dos astros a partir da perspectiva da espaçonave. Quando fotografados na Terra, esses rastros refletem tecnicamente o giro do próprio planeta — no espaço, a cena adquire uma dimensão ainda mais vertiginosa.

Entre as imagens da superfície lunar, destaca-se a cratera Vavilov na borda da ainda maior bacia Hertzsprung, localizada no lado oculto da Lua, aquele que jamais é visível da Terra. Quando a Orion navegou por trás do satélite, a NASA perdeu contato com a tripulação por cerca de 40 minutos — uma interrupção planejada que sublinha a imensidão do desafio enfrentado pelos quatro exploradores.

No horizonte, a próxima missão do programa Artemis está prevista para 2027 e envolverá uma viagem à órbita baixa da Terra para testar a capacidade da Orion de atracar com módulos de pouso lunar comerciais, além de avaliar os novos trajes espaciais. Em última instância, todas as imagens serão incorporadas ao Planetary Data System da NASA, o arquivo que reúne todos os dados digitais das missões de ciência planetária, tornando-os acessíveis a pesquisadores e ao público em todo o mundo.


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