Carros a gasolina colapsam na China com queda de 37% e elétricos dominam 9 dos 10 mais vendidos

Mãos seguram bico de bomba de combustível e carregador de veículo elétrico, com plataformas de petróleo e painéis solares ao fundo. (Foto: electrek.co)

O maior mercado automotivo do mundo acaba de registrar um colapso histórico nas vendas de carros a combustão.

Em abril de 2026, as vendas de veículos movidos exclusivamente a gasolina ou diesel despencaram 37% em relação ao mesmo mês do ano anterior na China, segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros. O resultado reconfigurou completamente o ranking dos modelos mais vendidos no país.

Dos dez veículos mais vendidos em abril, nove são elétricos ou híbridos plug-in. Apenas um modelo com motor a combustão convencional sobreviveu à lista: o Geely Coolray, com 14.923 unidades vendidas.

O líder absoluto do mês foi o Geely EX2, com 34.727 unidades comercializadas. Na sequência vieram o Xiaomi SU7, com 26.826 unidades, e o Tesla Model Y, com 22.990.

A participação de mercado dos veículos elétricos e híbridos plug-in — chamados coletivamente de NEVs — atingiu 61,4% em abril, a primeira vez na história que a marca de 60% foi ultrapassada. Em março deste ano esse índice era de 47,3%, e em abril de 2025 era de 51,7%.

Conforme aponta o portal especializado Electrek, o salto de quase 14 pontos percentuais em apenas um mês reflete uma aceleração sem precedentes na transição energética do setor. Em janeiro deste mesmo ano, sete dos dez carros mais vendidos na China ainda eram movidos a combustão — o que torna o resultado de abril ainda mais expressivo.

Os números revelam uma divisão brutal entre marcas chinesas e estrangeiras. Entre os veículos vendidos por fabricantes nacionais, 80,1% foram NEVs, enquanto entre as joint ventures de montadoras estrangeiras operando no país apenas 14,1% das vendas foram de veículos eletrificados.

A consequência é direta: as marcas chinesas avançam em ritmo acelerado enquanto as estrangeiras perdem espaço de forma consistente. A Toyota é um exemplo emblemático — a montadora japonesa registrou queda de 21,5% em seu lucro operacional no primeiro trimestre de 2026, em parte atribuída à sua posição fraca no mercado chinês, resultado de anos de subinvestimento em veículos elétricos a bateria.

Outras montadoras ocidentais e japonesas já foram forçadas a reduzir operações ou se retirar completamente do mercado. O encarecimento global do petróleo, que afetou especialmente a Ásia nos últimos meses, acelerou uma mudança de comportamento do consumidor chinês que já vinha em curso há anos.

As exportações chinesas de veículos elétricos também explodiram no período, crescendo 111,8% em relação ao ano anterior. Os NEVs já representam a maior fatia das exportações automotivas do país, o que posicionou a China como o maior exportador de automóveis do mundo, ultrapassando Japão e Alemanha.

O movimento atual guarda paralelo com o que ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando o mercado doméstico chinês virou rapidamente para carros elétricos e de fabricação nacional, deixando montadoras ocidentais e japonesas com milhões de veículos encalhados. Naquela ocasião, o mundo ignorou o sinal. Desta vez, a queda de um terço nas vendas de carros a combustão em um único mês — no maior mercado automotivo do planeta — dificilmente pode ser descartada como anomalia passageira.


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