A nova pesquisa Genial/Quaest mostra que Lula recuperou fôlego político e voltou a aparecer numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.
O presidente registra 42% das intenções de voto contra 41% do senador do PL. O resultado está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, portanto configura empate técnico, mas muda a direção da disputa: em abril, Flávio aparecia à frente, com 42%, contra 40% de Lula.
A virada numérica não decide a eleição, mas altera o clima político. A candidatura de Flávio continua competitiva, porém deixa de sustentar a narrativa de avanço contínuo sobre o presidente. Lula, por sua vez, mostra reação em um momento em que a avaliação do governo também melhora.
No primeiro turno, o petista aparece com 39%, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado e Romeu Zema têm 4% cada. Renan Santos soma 2%. Augusto Cury, Cabo Daciolo e Samara Martins aparecem com 1% cada.
Em abril, Lula tinha 37% no primeiro turno e Flávio, 32%. Ou seja, o presidente avançou dois pontos, enquanto o senador cresceu um. A diferença entre os dois passou de cinco para seis pontos percentuais no cenário principal de largada.
O segundo turno mostra um país dividido. Lula tem 42%, Flávio tem 41%, brancos, nulos ou eleitores que dizem não votar somam 14%, e os indecisos representam 3%. É uma disputa apertada, mas com sinal de recuperação para o presidente.
Contra outros nomes da oposição, Lula aparece com vantagem maior. Diante de Romeu Zema, o presidente marca 44%, contra 37% do ex-governador de Minas Gerais. Contra Ronaldo Caiado, Lula também tem 44%, enquanto o governador de Goiás soma 35%. Em uma disputa com Renan Santos, o placar é de 45% a 28%.
Esses números indicam que Flávio Bolsonaro é hoje o adversário mais competitivo contra Lula entre os nomes testados pela Quaest. Ao mesmo tempo, mostram que sua força depende quase totalmente da capacidade de manter a polarização bolsonarista como eixo da eleição.
A divisão regional ajuda a explicar o mapa da disputa. No Nordeste, Lula alcança 61%, contra 28% de Flávio. No Sudeste, Flávio aparece à frente, com 44%, contra 37% de Lula. No Sul, a vantagem do senador é maior: 52% a 27%. No Centro-Oeste/Norte, Flávio marca 46%, contra 36% de Lula.
A pesquisa também mostra recortes sociais importantes. Entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, Lula tem 52%, contra 32% de Flávio. Já entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, Flávio lidera por 51% a 34%.
Na escolaridade, o presidente tem 51% entre eleitores com ensino fundamental, enquanto Flávio soma 36%. Entre eleitores com ensino superior, o senador lidera com 45%, contra 37% de Lula.
O corte religioso também revela uma das maiores fraturas do eleitorado. Lula lidera entre católicos, com 46%, contra 38% de Flávio. Entre evangélicos, o senador tem vantagem ampla: 56%, contra 24% do presidente.
Outro dado relevante vem do Bolsa Família. Entre beneficiários do programa, Lula aparece com 54%, contra 32% de Flávio. Entre os não beneficiários, Flávio lidera por 45% a 39%.
A melhora eleitoral acompanha uma recuperação na avaliação do governo. A desaprovação caiu de 52% para 49%, enquanto a aprovação subiu de 43% para 46%. Na avaliação geral da gestão, os que consideram o governo positivo passaram de 31% para 34%, e os que avaliam negativamente caíram de 42% para 39%.
Também houve melhora na percepção sobre os rumos do país. O percentual dos que acreditam que o Brasil está na direção certa subiu de 34% para 38%. Já os que veem o país na direção errada caíram de 58% para 53%.
A economia aparece como fator decisivo nessa recuperação. Segundo a pesquisa, 40% dos brasileiros acreditam que a economia vai melhorar nos próximos 12 meses, enquanto 27% esperam piora. Mesmo assim, o preço dos alimentos continua pesando: 69% dizem que os alimentos subiram no último mês.
O levantamento ainda mostra que 63% dos eleitores dizem que sua escolha já é definitiva, enquanto 37% afirmam que o voto pode mudar até a eleição. Esse número é central: apesar da polarização forte, ainda há espaço para deslocamentos importantes até outubro.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 8 e 11 de maio de 2026, por meio de entrevistas domiciliares presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-03598/2026.
O recado da Quaest é claro: Lula ainda enfrenta uma disputa difícil, mas recuperou terreno. Flávio Bolsonaro permanece como adversário real, com força no Sul, no Sudeste, entre evangélicos e nas faixas de renda mais altas. Mas o presidente conserva vantagem no Nordeste, entre os mais pobres, nos beneficiários do Bolsa Família e voltou a liderar numericamente no confronto direto.
A eleição de 2026, portanto, segue aberta. Mas a rodada de maio interrompe a narrativa de crescimento automático do bolsonarismo e recoloca Lula em posição de reação. Em uma disputa tão apertada, a curva pode valer tanto quanto o placar.