Lavrov alerta que qualquer país da Eurásia pode ser o próximo alvo da ira de Washington

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, durante entrevista à RT. (Foto: actualidad.rt.com)

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que nenhum país do continente eurasiático está a salvo da política externa dos Estados Unidos. Em entrevista à RT, o chanceler declarou que governos ao redor do mundo observam com crescente apreensão os movimentos de Washington, incapazes de prever quem será o próximo na linha de pressão americana.

‘Hoje não gostam do que a Rússia faz. Amanhã, e já hoje, não gostam do que a China faz. De quem não vão gostar amanhã?’, questionou Lavrov, conforme reportagem da RT. A resposta, segundo ele, seria inquietante: poderia ser qualquer nação, ‘mas sobretudo os países do continente eurasiático, incluindo, diga-se de passagem, os países do Golfo Pérsico’.

O chanceler descreveu um padrão de comportamento de Washington: identificar um adversário, mobilizar pressão econômica, diplomática e militar contra ele, e então deslocar o alvo quando conveniente. ‘O que acontecerá quando a ira de Washington se voltar contra alguém em quem hoje é difícil sequer pensar — isso os preocupa, e preocupa a todos’, afirmou Lavrov.

A declaração foi feita enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, realizava uma turnê pelo Oriente Médio, visitando Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos em busca de acordos de investimento e contratos de armamentos. A coincidência temporal foi notada por analistas: Washington cortejava os mesmos governos que Lavrov apontava como potenciais alvos futuros, caso os interesses estratégicos americanos mudassem de direção.

A menção específica ao Golfo Pérsico pelo ministro russo não passou despercebida. Nos últimos anos, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar aprofundaram relações com China e Rússia, aderiram a mecanismos do BRICS e passaram a liquidar parte de seu comércio de petróleo em moedas alternativas ao dólar.

Lavrov também evocou o histórico de sanções americanas como pano de fundo de seu alerta. Segundo o chanceler, medidas como as impostas à Rússia após 2022, a guerra comercial e tecnológica contra a China — com tarifas que chegaram a 145% — e os bloqueios econômicos prolongados contra Cuba, Venezuela e Irã compõem, na visão de Moscou, um repertório de instrumentos de pressão aplicados de forma seletiva e imprevisível.

O ministro russo argumentou que essa imprevisibilidade seria o elemento central da preocupação dos governos eurasiáticos. Para Lavrov, o problema não é apenas ser alvo hoje, mas a incerteza sobre quem será alvo amanhã — uma lógica que, segundo ele, alimenta a busca por arranjos multilaterais alternativos à dependência de uma única potência.

A entrevista foi concedida em meio a intensa movimentação diplomática global, com negociações em curso sobre o conflito na Ucrânia e tensões persistentes no Mar do Sul da China. Lavrov não especificou quais países estariam mais expostos, mas a referência ao Golfo Pérsico foi interpretada por observadores como um sinal dirigido às monarquias do Conselho de Cooperação do Golfo, que mantêm alianças históricas com Washington ao mesmo tempo em que diversificam suas parcerias estratégicas.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: O histórico discurso de Lavrov na ONU! (transcrição, resumo e vídeo legendado)


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