Petro rebate Trump e denuncia plano dos EUA de anexar a Venezuela como ‘Estado 51’

Donald Trump caminha pelo gramado da Casa Branca, em Washington D.C. (Foto: Wikimedia Commons)

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu a uma publicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que exibiu um mapa da Venezuela coberto pela bandeira norte-americana sob o título de ‘Estado 51’. A imagem foi divulgada pela Casa Branca em suas redes oficiais e provocou reação imediata de líderes latino-americanos.

Em mensagem publicada na rede social X, Petro classificou a iniciativa como ‘completamente contrária’ ao legado de Simón Bolívar, herói da independência latino-americana. O mandatário colombiano sustentou que qualquer projeto de anexação ‘não pode ser feito sem a vontade do povo da Venezuela’, conforme registrou o portal RT Actualidad.

‘Seria preciso pedir que traíssem o próprio filho: Simón Bolívar, fundador da Grã-Colômbia e da liberdade da Venezuela’, escreveu Petro. A referência ao Libertador funciona como resposta política e simbólica à pretensão demonstrada pela Casa Branca.

O presidente colombiano enfatizou que a proposta de anexação contraria o direito internacional e o ideário bolivariano que serviu de base para a constituição das repúblicas sul-americanas. Para Petro, a soberania venezuelana é parte de uma herança histórica continental que não pode ser submetida à lógica de Washington.

A provocação de Trump ocorre em meio à intensificação da pressão militar norte-americana sobre o Caribe, com o envio de embarcações de guerra e operações na região sob o pretexto declarado de combate ao narcotráfico. A movimentação tem sido interpretada como parte de uma estratégia mais ampla de cerco ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de disputa pelos recursos energéticos do país, detentor das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

A ideia de transformar territórios estrangeiros em ‘Estado 51’ já havia sido aventada por Trump em relação ao Canadá e à Groenlândia. A aplicação dessa retórica à Venezuela representa um novo patamar de tensão diplomática.

A simbologia do mapa coberto pela bandeira dos Estados Unidos remete diretamente ao Destino Manifesto, doutrina que historicamente serviu para justificar invasões e anexações no continente americano.

A posição de Petro reforça uma tendência crescente entre lideranças progressistas latino-americanas de marcar posição contra o intervencionismo de Washington. O presidente colombiano, que rompeu com a tradição de alinhamento automático que marcava as relações entre Bogotá e Washington em governos anteriores, tem se consolidado como uma das vozes mais ativas em defesa da autodeterminação dos povos da região.

O episódio também expõe a contradição do discurso oficial norte-americano, que se apresenta como defensor da liberdade global ao mesmo tempo em que sinaliza abertamente o desejo de absorver territórios soberanos de nações vizinhas. Pesa ainda o histórico de bloqueios econômicos, sanções unilaterais e tentativas de derrubada do governo venezuelano promovidas pelos Estados Unidos nas últimas duas décadas.

A reação de Petro se soma a manifestações de outros governos da América Latina, que veem na ofensiva contra Caracas uma ameaça à estabilidade regional. A invocação de Bolívar pelo presidente colombiano resgata uma tradição de integração continental que se opõe à fragmentação política historicamente imposta pelas grandes potências.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: Delcy Rodríguez exige fim das sanções dos EUA e respeito à soberania venezuelana


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.