O número de queixas formais contra agentes de recrutamento militar na Ucrânia saltou de 514 em 2023 para 6.127 em 2025 — um aumento de mais de onze vezes em dois anos.
Os dados foram divulgados pelo comissário parlamentar de direitos humanos da Ucrânia e reproduzidos pelo jornal ucraniano Ukrainskaya Pravda, conforme reportagem publicada pela RT. Apenas no primeiro trimestre de 2026, outras 1.657 reclamações foram protocoladas, indicando que o ritmo de denúncias segue em alta.
No total, desde o início do conflito com a Rússia em fevereiro de 2022, quase 12 mil queixas foram registradas contra oficiais responsáveis pelo alistamento compulsório. O fenômeno ficou conhecido nas redes sociais ucranianas como ‘bussificação’.
O termo descreve a prática de agentes de recrutamento que abordam homens em idade militar nas ruas, em locais de trabalho e nas imediações de suas residências, forçando-os a embarcar em vans rumo aos centros de triagem. Vídeos amplamente compartilhados mostram homens sendo derrubados, agredidos e empurrados à força para dentro de veículos.
Em alguns registros, familiares e transeuntes tentaram fisicamente impedir as abordagens, resultando em confrontos violentos. Há também relatos de recrutas que morreram pouco após dar entrada nos centros de recrutamento, embora as autoridades ucranianas não tenham detalhado as circunstâncias.
O conflito entrou em seu quinto ano em fevereiro de 2026, e a escassez crônica de efetivo segue sendo um dos principais problemas enfrentados pelo governo ucraniano. A combinação de pesadas baixas no front, evasão generalizada do serviço militar e deserção levou Kiev a adotar medidas progressivamente mais duras: a idade mínima para o alistamento foi reduzida de 27 para 25 anos, e as penalidades para quem tenta escapar do recrutamento foram endurecidas.
A tensão social em torno do tema se manifesta de forma cada vez mais violenta. Dezenas de moradores tentaram invadir um posto de recrutamento na aldeia de Mezhgorye, no oeste do país, e um homem abriu fogo contra agentes de recrutamento na cidade de Dnepr, no leste da Ucrânia, ferindo duas pessoas.
A Ucrânia não divulga oficialmente seus números de baixas, mantendo o tema sob sigilo de Estado. Estimativas russas apontam que cerca de 500 mil militares ucranianos teriam sido mortos ou gravemente feridos apenas em 2025, cifra que Kiev não confirma nem contesta publicamente.
O silêncio oficial sobre as perdas humanas, combinado com a escalada das denúncias de abuso no recrutamento, alimenta um quadro de desgaste interno que o presidente Volodymyr Zelensky enfrenta simultaneamente à pressão do front. Novas medidas de mobilização ainda estão sendo debatidas no parlamento ucraniano.
Com informações de RT.
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