Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), utilizado como base da Operação Legado deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, revela que o policial militar da reserva Fabrício Queiroz recebeu R$ 6.300 de uma empresa de estética apontada pela Promotoria como parte da estrutura usada para lavar dinheiro do ex-PM Adriano da Nóbrega, miliciano morto em 2020. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e está disponível com mais detalhes no Diário do Centro do Mundo.
A transferência ocorreu em julho de 2017, período em que Queiroz atuava como chefe de gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O pagamento partiu da S. C. da Silva Estética Pessoal, nome formal de um quiosque de design de sobrancelhas que funcionou em um shopping da zona norte do Rio de Janeiro.
De acordo com o MP-RJ, a empresa pertence a Shirlei Costa da Silva, irmã de Márcio Carneiro Ferreira da Silva, apontado pela Promotoria como responsável por operar empresas fantasmas usadas na lavagem de dinheiro atribuída às atividades ilegais de Adriano da Nóbrega. O nome de Queiroz aparece tanto no documento de inteligência que deu origem ao inquérito quanto no relatório financeiro sobre a movimentação da empresa de estética, embora ele não tenha sido denunciado na Operação Legado e sua conduta não tenha sido formalmente analisada no processo.
Os relatórios do Coaf indicam que a S. C. da Silva Estética Pessoal movimentou mais de R$ 2 milhões em créditos entre abril de 2017 e dezembro de 2018, com valor semelhante em débitos. A maior parte das saídas ocorreu por meio de saques em dinheiro vivo, o que levou o MP-RJ a apontar incompatibilidade entre o volume de recursos e o tamanho do negócio.
A mesma empresa também transferiu R$ 38,4 mil para uma pizzaria registrada em nome de Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano da Nóbrega e ex-assessora de Flávio Bolsonaro na Alerj. Raimunda está entre os denunciados na Operação Legado, o que reforça o mapa de conexões investigado pelo MP-RJ entre o entorno do senador e a estrutura financeira atribuída ao miliciano.
O caso se soma ao histórico de investigações que envolvem o gabinete de Flávio Bolsonaro. Em 2020, o MP-RJ denunciou Queiroz como operador do suposto esquema de rachadinha na Alerj, pelo qual o então deputado estadual teria desviado R$ 6 milhões dos cofres públicos por meio do recolhimento de salários de funcionários fantasmas. O processo teve seu curso alterado após o Superior Tribunal de Justiça declarar a incompetência do MP-RJ e determinar a remessa dos autos à Justiça Federal.
Procurado, Queiroz negou qualquer envolvimento. “Não sou investigado por nenhuma dessas falsas acusações. Peço que me deixe em paz para tomar conta da minha vida e cuidar da minha família”, declarou. Em nota, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que “não possui qualquer relação com os fatos mencionados e que jamais teve conhecimento ou participação em atividades ilícitas atribuídas a Fabrício Queiroz ou a Adriano da Nóbrega”.
A Operação Legado, deflagrada pelo MP-RJ, mira a estrutura financeira montada para lavar recursos gerados pelas atividades ilegais de Adriano da Nóbrega, líder de grupo miliciano que atuava na zona oeste do Rio de Janeiro até ser morto em 2020. O documento do Coaf que conecta o nome de Queiroz à empresa de estética amplia o escopo das conexões investigadas e adiciona uma nova camada ao intrincado mapa de relações entre o clã Bolsonaro e o submundo das milícias fluminenses.
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