Rocha marciana fica presa na broca do Curiosity e engenheiros da NASA levam dias para soltá-la

O rover Curiosity da NASA em paisagem marciana. (Foto: wired.com)

Uma rocha de cerca de 13 quilos ficou presa na broca do rover Curiosity durante uma operação de coleta de amostras em Marte, deixando engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA sem resposta imediata.

O episódio, inédito nos quase 14 anos de missão do veículo, exigiu dias de manobras remotas antes que a pedra finalmente se soltasse.

O incidente começou em 25 de abril, quando o Curiosity perfurou uma rocha apelidada de ‘Atacama’ para coletar uma amostra do solo marciano. Ao retrair o braço robótico após a perfuração, a pedra inteira ergueu-se da superfície e ficou completamente aderida à luva que envolve a ponta giratória da broca — algo que nunca havia ocorrido nas missões anteriores do rover.

Foram as câmeras de detecção de obstáculos instaladas na parte frontal do chassi do Curiosity que registraram a sequência de imagens do ocorrido. Essas imagens permitiram que a equipe identificasse o problema e iniciasse os trabalhos de remoção imediatamente.

A primeira tentativa consistiu em vibrar a broca para desprender a rocha, mas a manobra não surtiu efeito. Em 29 de abril, os engenheiros reposicionaram o braço robótico e repetiram a vibração, conseguindo remover apenas alguma areia da superfície da pedra, sem libertá-la.

Em 1º de maio, a equipe escalou a intervenção: inclinaram mais a broca, combinaram rotação com vibração e acionaram o giro da ponta de perfuração. A rocha se soltou já na primeira tentativa desta nova abordagem, despedaçando-se em múltiplos fragmentos ao atingir o solo marciano.

O desfecho surpreendeu positivamente a equipe, que havia se preparado para um processo ainda mais longo. A sequência completa do episódio foi detalhada pela própria agência espacial e repercutida pelo portal Wired.

O Curiosity foi desenvolvido pelo JPL e pousou em Marte em agosto de 2012 com a missão de buscar evidências de que o Planeta Vermelho pode ter abrigado condições capazes de sustentar vida microbiana. Em 2020, o rover realizou experimentos na região de Glen Torridon, dentro da Cratera Gale — uma área rica em minerais argilosos que indicam a presença de água no passado.

O episódio da rocha ‘Atacama’ ilustra os limites físicos e operacionais da exploração planetária remota, onde cada manobra depende de comandos enviados com atraso de minutos. Após quase 14 anos em atividade contínua, o Curiosity segue operacional e acumulando descobertas sobre a geologia e a história climática do Planeta Vermelho.


Leia também: Curiosity supera desafio ao remover pedra presa em seu braço em Marte


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Redação:
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