O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarcou para Pequim em direção a uma cúpula de alta tensão com o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, com a guerra movida por Washington e Tel Aviv contra a República Islâmica do Irã alcançando o 75º dia.
Embora o foco oficial da reunião seja a disputa comercial entre as duas maiores economias do planeta, Trump confirmou que terá uma ‘longa conversa’ com o líder chinês sobre o conflito que desestabiliza o Golfo Pérsico e pressiona os preços globais de energia.
A cúpula ocorre em um momento em que Teerã denuncia que Washington e Tel Aviv estão fabricando ‘justificativas para atrocidades’, enquanto Trump alterna ameaças de que o conflito terminará ‘pacificamente ou de outra forma’. O presidente da Câmara iraniana e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os Estados Unidos precisam aceitar a mais recente proposta de paz apresentada por Teerã, sob pena de fracasso definitivo das tratativas.
A pressão sobre a Casa Branca aumenta no front doméstico, com o próprio Trump admitindo que o cessar-fogo entre os dois países está ‘em respiração artificial’ e cogitando retomar escoltas navais pelo Estreito de Ormuz. Avaliações de inteligência americanas classificadas, segundo o New York Times, reconhecem que o Irã mantém capacidades militares substanciais, conservando cerca de 70% de seus lançadores móveis e de seu estoque pré-guerra de mísseis, além de ter restaurado o acesso a 30 dos 33 sítios de mísseis ao longo do Estreito de Ormuz.
Os dados confirmam a resiliência da indústria de defesa da República Islâmica, fator decisivo para sustentar a posição de Teerã na mesa de negociação. A capacidade iraniana de manter operações militares e responder à campanha de bombardeios conduzida por Israel e Estados Unidos expõe os limites do poder de fogo do eixo imperialista.
No tabuleiro geopolítico, um superpetroleiro chinês, o Yuan Hua Hu, cruzou o Estreito de Ormuz passando pela ilha iraniana de Larak, sinalizando que Pequim mantém sua rota energética operacional sob coordenação direta com a Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC). Autoridades iranianas, conforme reportagem do correspondente Almigdad Alruhaid no portal Al Jazeera, rejeitam a acusação de que estariam ‘armando’ a hidrovia, afirmando que embarcações seguem trafegando com segurança por rotas coordenadas pela Marinha do IRGC.
O premiê do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, sustentou que o Irã não deveria utilizar Ormuz como instrumento de ‘chantagem’ contra Estados do Golfo, e revelou que sua recente visita a Washington teve como objetivo apoiar a mediação paquistanesa pelo fim do conflito. A Austrália, por meio do ministro da Defesa, Richard Marles, anunciou que vai aderir a uma missão ‘estritamente defensiva’ liderada por França e Reino Unido para escoltar a navegação na região.
O chanceler turco, Hakan Fidan, afirmou em entrevista à Al Jazeera que tanto Washington quanto Teerã agora demonstram ‘vontade suficiente’ para encerrar o conflito, alertando que uma nova escalada aprofundaria a instabilidade econômica global. A diplomacia turca tem se movimentado para mediar uma saída negociada que reconheça os limites impostos pela resistência iraniana.
Os custos do confronto se acumulam para os Estados Unidos, com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, informando ao Congresso que a guerra já custou pelo menos 29 bilhões de dólares em munições e equipamentos em 75 dias, sem contar os danos a bases militares. Democratas têm pressionado a Casa Branca diante do encarecimento da gasolina e da incerteza sobre os objetivos estratégicos da campanha.
No Líbano, a guerra paralela continua devastadora, com Beirute pedindo ao embaixador americano que pressione Israel a interromper os ataques aéreos que violam abertamente o cessar-fogo. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, descartou qualquer discussão sobre desarmamento da resistência e prometeu transformar o campo de batalha em ‘inferno’ para as forças israelenses, enquanto um bombardeio matou pelo menos dois paramédicos da Defesa Civil libanesa e o ferido que tentavam socorrer perto de Tiro.
O complexo de processamento de gás de Habshan, em Abu Dhabi, um dos maiores do mundo e atingido durante a guerra, segue operando a apenas 60% da capacidade e só deve ser plenamente restaurado no ano que vem, segundo a ADNOC Gas. O dado revela a extensão dos danos provocados pela campanha militar à infraestrutura energética dos próprios aliados de Washington no Golfo.
Com informações de Al Jazeera.
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