A Amnesty International publicou uma investigação detalhada documentando a destruição de imóveis civis pelo exército israelense no sul da Síria e exige a abertura formal de uma investigação por crimes de guerra.
A ONG denuncia a destruição deliberada de habitações civis na governadoria de Quneitra, sem qualquer necessidade militar que a justifique. O relatório aponta que Israel enviou tropas para a zona tampão patrulhada pela ONU após a tomada do poder por uma coalizão islamista na Síria, no final de 2024.
Essa faixa foi criada para separar as forças israelenses e sírias no Planalto de Golã, ocupado desde 1967 e posteriormente anexado por Tel Aviv. As forças israelenses avançaram para dentro de três aldeias situadas na zona desmilitarizada, realizando incursões e ordenando que os moradores abandonassem suas casas.
Por meio de análise de imagens de satélite, a Amnesty verificou que 23 edificações nessas aldeias foram danificadas ou completamente destruídas. Testemunhas relataram que pelo menos duas outras casas foram demolidas, junto com jardins e terras agrícolas, ao longo de 2024 e 2025.
Os relatos indicam que não havia hostilidades ativas imediatamente antes, durante ou após essas destruições. Isso reforça o enquadramento jurídico da ONG, que classifica os atos como violações graves do direito internacional humanitário.
A diretora adjunta do programa regional para o Oriente Médio e Norte da África da Amnesty, Kristine Beckerle, foi direta na avaliação. Ela afirmou que “a destruição ilegal de bens civis tornou-se a marca registrada das operações militares israelenses na região, como já foi constatado nos últimos anos em Gaza e no Líbano, e agora, como demonstra nossa investigação, também na Síria.”
Beckerle acrescentou que “a segurança das fronteiras de Israel não pode justificar o fato de arrasar e explodir casas e aldeias no território de outro país.” A investigação foi divulgada pelo portal da Rádio França Internacional (RFI).
O contexto geopolítico agrava o quadro denunciado. O governo sírio e Israel decidiram, no início de 2026, sob pressão dos Estados Unidos, estabelecer um mecanismo de comunicação direta, conduzindo rodadas de negociações com vistas a um acordo de segurança.
Apesar dessa abertura diplomática, as destruições documentadas pela Amnesty ocorreram justamente nesse mesmo período. A organização cobra que a comunidade internacional não trate o caso sírio como exceção, mas como parte de um padrão que se repete — de Gaza ao Líbano, e agora a Quneitra.
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