Pesquisadores da Universidade de Varsóvia e da Universidade de Hertfordshire descobriram uma conexão intrigante entre matemática e arte abstrata.
Utilizando um método de topologia computacional chamado homologia persistente, eles analisaram a estrutura de pinturas abstratas. O objetivo era distinguir obras genuínas de imagens geradas por inteligência artificial.
O estudo foi publicado na revista PLOS Computational Biology. Ele sugere que artistas como Wassily Kandinsky, Mark Rothko e Jackson Pollock seguem intuitivamente uma ‘regra de ouro’ matemática ao estruturar suas composições.
Essa convergência não seria fruto de cálculo consciente. Segundo os pesquisadores, ela obedece a princípios topológicos precisos, fruto de uma sensibilidade estética refinada.
A pesquisa revelou que as obras desses artistas convergem em um ponto específico de violação da dualidade de Alexander. Trata-se de uma relação matemática que descreve o equilíbrio entre estruturas visuais nas bordas e no interior de uma composição.
Para testar a hipótese, os pesquisadores monitoraram o movimento ocular e a atividade cerebral de participantes. Eles visualizavam tanto obras originais quanto imagens geradas por IA.
Os resultados foram reveladores: a arte real promovia um processamento cerebral mais estável. Já as imagens artificiais provocavam movimentos oculares mais exploratórios e uma sensação de incerteza perceptual.
Conforme detalhou o portal Phys.org, a equipe mapeou características topológicas das imagens em mapas de fixação do olhar. A correlação entre os recursos estruturais identificados matematicamente e os pontos de interesse visual reforça a tese de que existe uma gramática oculta na grande arte abstrata.
Jacek Rogala, pesquisador da Universidade de Varsóvia e um dos autores do trabalho, destacou a importância do ambiente expositivo. Segundo ele, o contexto de uma galeria pode influenciar significativamente a atenção e a forma como os espectadores interagem com as obras.
A pesquisa abre caminho para aplicações práticas que vão além da teoria estética. Além de oferecer uma ferramenta objetiva para distinguir arte humana de imagens geradas por algoritmos, o trabalho pode contribuir para sistemas de curadoria e autenticação de obras.
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