Arqueólogos chineses desenterraram um artefato de ferro meteórico no lendário sítio de Sanxingdui, iluminando novos horizontes sobre o uso precoce do ferro no sudoeste da China. Esta descoberta transforma a compreensão moderna da tecnologia da Era do Bronze da antiga civilização Shu.
A equipe de pesquisa, composta por especialistas da Universidade de Sichuan e do Instituto de Pesquisa de Relíquias Culturais e Arqueologia da Província de Sichuan, revelou a aplicação mais antiga conhecida de ferro meteórico na região. A pesquisa foi publicada recentemente na revista Archaeological Research in Asia, destacando a importância acadêmica deste achado.
Cobrindo uma área de 12 quilômetros quadrados, as ruínas de Sanxingdui são consideradas os remanescentes do antigo Reino Shu, datando de 4.500 a 3.000 anos atrás. O artefato foi descoberto em 2021 no poço sacrificial número 7, onde arqueólogos avistaram um objeto longo e vertical no fundo do poço.
Medindo aproximadamente 20,05 centímetros de comprimento e entre 5,27 a 7,90 centímetros de largura, o objeto estava severamente corroído e inicialmente assemelhava-se a um machado ou alabarda. Devido à sua fragilidade, a equipe optou por uma escavação em bloco, cuidadosamente removendo o artefato junto com o solo circundante para garantir sua transferência segura para um laboratório para conservação e estudo adicional.
Análises técnicas avançadas confirmaram que o objeto é um produto de ferro meteórico, tornando-se o maior artefato deste tipo conhecido da Era do Bronze chinesa. Esta descoberta destaca uma tradição metalúrgica distinta, uma vez que o objeto é composto puramente de ferro meteórico, ao contrário das ferramentas compostas de bronze e ferro encontradas comumente na região das Planícies Centrais.
Li Haichao, professor da escola de arqueologia da Universidade de Sichuan, afirmou que a aplicação do ferro marca uma transformação significativa na produtividade humana. Embora não seja um produto de ferro manufaturado, demonstra o reconhecimento e a utilização do ferro pelos antigos habitantes do sudoeste da China.
Embora o objeto seja muito fragmentado para determinar uma função precisa, especialistas especulam que pode ter servido como ferramenta, arma ou objeto cerimonial. O achado preenche uma lacuna crítica no registro arqueológico da região sudoeste, provando que há 3.000 anos, os ancestrais da civilização Shu possuíam a habilidade sofisticada de identificar e processar ferro meteórico.
Esta descoberta reformula a compreensão sobre o nível tecnológico da antiga civilização Shu e o padrão de troca cultural e tecnológica entre regiões durante a Era do Bronze. As ruínas de Sanxingdui, descobertas no final da década de 1920 em Guanghan, Província de Sichuan, são consideradas uma das descobertas arqueológicas mais significativas do século XX.
A descoberta recente no sítio de Sanxingdui não apenas desvela aspectos desconhecidos da antiga civilização Shu, mas também desafia as noções estabelecidas sobre a disseminação e o desenvolvimento de tecnologias durante a Era do Bronze. Conforme reportagem da agência Xinhua, a importância deste artefato de ferro meteórico se estende além da China, oferecendo uma nova perspectiva sobre a inovação humana e a adaptação a materiais disponíveis na natureza.
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