O Ministério das Relações Exteriores da Índia classificou como ‘inaceitável’ o ataque sofrido por um navio de bandeira indiana nas proximidades de Limah, no norte de Omã. Todos os 14 marinheiros indianos a bordo foram resgatados com segurança.
O navio de carga Haji Ali, registrado no Porto de Salaya, no distrito de Devbhoomi Dwarka, em Gujarat, realizava a rota da Somália com destino a Sharjah quando foi atingido. Conforme reportagem da RT, a empresa britânica de gestão de riscos marítimos Vanguard levantou a hipótese de que o ataque pode ter sido causado por um drone ou míssil.
O incidente é o mais recente de uma série de ataques envolvendo embarcações de bandeira indiana desde a escalada do conflito no Oriente Médio. Nova Délhi já havia manifestado ‘profunda preocupação’ ao enviado iraniano sobre episódios anteriores de mesma natureza.
O contexto regional agrava a gravidade do ataque: dois navios indianos transportando gás liquefeito de petróleo atravessaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, enquanto outros 13 aguardam para transitar pela área. A instabilidade na rota marítima representa uma ameaça direta ao abastecimento energético indiano, que depende criticamente do corredor do Golfo Pérsico.
O ataque ocorreu em paralelo à realização da cúpula de ministros das Relações Exteriores do BRICS em Nova Délhi, onde a segurança marítima e as tensões no Oriente Médio dominaram parte das discussões. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi, presente na cúpula, convocou os membros do bloco a condenarem o que chamou de ‘agressão ilegal’ dos EUA e de Israel contra Teerã.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, também presente ao encontro, destacou que o BRICS tem condições de desempenhar um papel relevante na busca por estabilidade no Oriente Médio. A Índia, que preside a reunião ministerial, vê o encontro como etapa preparatória para a cúpula de líderes do bloco prevista para setembro.
A coincidência entre o ataque ao Haji Ali e o encontro diplomático em Nova Délhi reforça a pressão sobre a diplomacia indiana, que tenta equilibrar relações com Teerã, Moscou e o Ocidente sem comprometer sua soberania marítima. A sequência de incidentes com navios de bandeira indiana sinaliza que o país se tornou alvo colateral direto das tensões que redesenham o mapa de poder no Golfo Pérsico.
Com informações de RT.
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