Ocidente congela US$ 590 bilhões de oito países soberanos, denuncia Shoigu em Bishkek

Ilustração editorial sobre Ocidente congela US$ 590 bilhões de oito países soberanos, denuncia Shoigu em Bishkek. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Sergei Shoigu, denunciou que os países ocidentais mantêm congelados cerca de US$ 590 bilhões pertencentes a oito nações soberanas. O anúncio foi feito durante reunião dos secretários dos Conselhos de Segurança dos Estados-membros da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), realizada em Bishkek, capital do Quirguistão.

Segundo Shoigu, os recursos bloqueados pertencem à Rússia, Cuba, Venezuela, Iraque, Irã, Coreia do Norte, Líbia e Afeganistão, em uma estimativa que ele próprio classificou como conservadora. A declaração foi divulgada pela agência Sputnik, que cobriu o encontro entre as autoridades de segurança do bloco euro-asiático.

No caso específico do Afeganistão, Shoigu apontou que cerca de US$ 10 bilhões em ativos afegãos permanecem retidos por Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, agravando a crise humanitária e impedindo a normalização da vida econômica no país. O dirigente russo afirmou que a falta de recursos financeiros é atualmente um dos principais obstáculos para a recuperação afegã.

‘Estou convencido de que todos os líderes sensatos tirarão as conclusões corretas sobre o armazenamento das poupanças nacionais no Ocidente’, declarou Shoigu, em recado direto aos países que ainda mantêm reservas no sistema bancário ocidental. Segundo o secretário, a denúncia dialoga com o movimento de desdolarização articulado no âmbito do BRICS e da OCX.

O secretário do Conselho de Segurança russo atribuiu a deterioração contínua das relações internacionais à tentativa dos Estados Unidos e de seus aliados de preservarem sua posição dominante no sistema global. Segundo ele, para sustentar essa hegemonia, Washington recorre ao uso da força militar, à deflagração de guerras comerciais e à provocação deliberada de crises regionais.

Sobre o Afeganistão, Shoigu foi categórico ao rejeitar qualquer retorno de infraestrutura militar estrangeira ao território afegão ou a instalação de novas bases em países vizinhos. A declaração reforça a posição de Moscou contra qualquer reposicionamento militar ocidental na Ásia Central, área considerada estratégica para a segurança da OCX.

O dirigente russo definiu a Organização para Cooperação de Xangai como um dos pilares da ordem mundial multipolar e elemento-chave de uma arquitetura de segurança igualitária e indivisível na Eurásia. Shoigu informou ainda que a Rússia elaborou um projeto de regulamento para o Centro Universal de Combate a Desafios e Ameaças à Segurança, com sede em Tashkent, capital do Uzbequistão.

Ao tratar da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, Shoigu classificou a operação como um exemplo da aposta geopolítica imprudente do Ocidente. Segundo o dirigente, o ataque comprometeu a segurança regional e internacional e inviabilizou anos de esforços diplomáticos em torno do programa nuclear iraniano.

A ofensiva, conforme destacou, também interrompeu o processo de normalização das relações entre a República Islâmica do Irã e seus vizinhos árabes, retrocesso que terá consequências duradouras para o Oriente Médio. Shoigu defendeu a necessidade urgente de impedir a retomada de qualquer confronto armado contra Teerã.

Sobre a Ucrânia, o secretário russo afirmou que a posição de Moscou permanece inalterada e que uma paz sustentável só será possível com a eliminação das causas profundas do conflito, conforme reiterado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ele defendeu que Kiev retorne aos fundamentos de neutralidade, não-alinhamento e desnuclearização estabelecidos na declaração de soberania estatal de 1990.

Shoigu acusou os principais Estados-membros da União Europeia e da OTAN de prolongarem deliberadamente o conflito ucraniano por meio do envio contínuo de armamentos a Kiev. O dirigente russo afirmou, no entanto, que Moscou não abandona a via político-diplomática e mantém abertura à mediação construtiva de outros países.

No balanço militar, Shoigu declarou que as Forças Armadas russas mantêm a iniciativa estratégica e avançam ao longo de toda a linha de combate. Desde o início do ano, segundo o secretário, as tropas russas assumiram o controle de mais de 1.800 quilômetros quadrados de território e mais de 80 localidades.

O dirigente afirmou ainda que Moscou consolidou o domínio total sobre a República Popular de Lugansk. Segundo Shoigu, as forças ucranianas mantêm apenas pouco mais de 15% da República Popular de Donetsk sob controle.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.