Pentágono abre cofres secretos e expõe centenas de avistamentos de OVNIs, incluindo mistérios das missões Apollo

Imagem de um Objeto Voador Não Identificado (OVNI) divulgada pelo Pentágono. (Foto: www.nbcnews.com)

O Pentágono, a cidadela impenetrável dos segredos militares dos Estados Unidos, finalmente entreabriu uma fresta em seus arquivos mais enigmáticos. Décadas de especulação febril sobre fenômenos aéreos não identificados agora encontram um repositório oficial, prometendo uma transparência que historicamente foi um artigo de ficção.

A iniciativa, embora catalisada por uma pressão bipartidária no Congresso dos EUA, foi politicamente capitalizada pelo presidente Donald Trump, que em seu mandato prometeu a liberação de ‘documentos muito interessantes’ como um aceno à sua base. O Departamento de Defesa, em um movimento calculado, atendeu ao chamado legislativo, inaugurando uma nova era de divulgação rigidamente controlada.

Um portal governamental foi estabelecido para abrigar o que a burocracia agora chama de Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAP), um termo asséptico para substituir a sigla OVNI. O escritório responsável, conhecido como AARO (All-domain Anomaly Resolution Office), promete que arquivos adicionais serão adicionados ‘de forma contínua’, criando um fluxo constante de dados para análise pública.

A narrativa oficial, veiculada em um comunicado de imprensa, proclama que ‘o povo americano pode agora acessar os arquivos UAP desclassificados do governo federal instantaneamente’. Vídeos, fotografias e documentos originais de todo o aparato estatal estão supostamente em um só lugar, sem a necessidade de credenciais de segurança ou acesso privilegiado.

Para a frustração previsível de teóricos e entusiastas, os documentos não sugerem um grande acobertamento governamental de encontros extraterrestres. Pelo contrário, o primeiro diretor do AARO, Dr. Sean Kirkpatrick, afirmou em relatórios que a análise de dados históricos e contemporâneos não produziu ‘nenhuma evidência de tecnologia alienígena’.

Em vez de respostas definitivas, a liberação oferece um oceano de arquivos brutos para que o público consuma e, potencialmente, tire suas próprias conclusões ou se perca nelas. A coleção inicial, conforme detalhado no próprio portal oficial, inclui centenas de incidentes globais, estendendo-se por mais de meio século de observações.

Alguns depoimentos de testemunhas oculares são tão recentes quanto do ano passado, enquanto outros casos remetem à era do Projeto Blue Book, na década de 1940. Muitos dos vídeos desclassificados consistem em imagens militares granuladas de sensores infravermelhos, ao lado de fotos indecifráveis de pontos de luz ou objetos de formas inusitadas.

Entre os arquivos do tesouro recém-revelado, destacam-se incidentes das missões lunares Apollo 11, Apollo 12 e Apollo 17. Em um interrogatório de 1969 após o voo da Apollo 11, o astronauta Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua, relatou ter visto «pequenos flashes dentro da cabine» enquanto tentava adormecer.

Aldrin também descreveu ter visto «o que parecia ser uma fonte de luz bastante brilhante que atribuímos provisoriamente a um possível laser». Durante a missão Apollo 12, também em 1969, o astronauta Alan Bean relatou «flashes de luz» que ele descreveu como «navegando para o espaço» de forma anômala.

Na missão final do programa, a Apollo 17 em 1972, a tripulação testemunhou «partículas muito brilhantes» de luz que estavam «caindo» e «girando muito longe». O astronauta e geólogo Harrison Schmitt disse que o fenômeno parecia «o Quatro de Julho», uma referência às comemorações da independência americana.

Outro registro intrigante é a transcrição de uma troca do astronauta Frank Borman, da Gemini 7 em 1965, na qual ele se refere a um «bogey às 10 horas» cerca de quatro horas e meia após o início do voo espacial. Houston reconhece a referência e Borman descreve o objeto como «centenas de pequenas partículas passando à esquerda a cerca de três ou quatro milhas».

Os documentos mostram que alguns incidentes foram imediatamente desmentidos com explicações prosaicas, como um avistamento de 1948 sobre a Holanda atribuído a um jato com ‘assistência de foguete’. Outros incidentes, no entanto, são apenas descritos sem que qualquer conclusão seja apresentada, mantendo um conveniente véu de mistério sobre os casos mais inexplicáveis.

Relatórios mais recentes, de 2020 até o presente, identificam UAPs ‘potenciais’, mas com poucos detalhes sobre o que são ou onde foram vistos. Em um caso de setembro de 2023, um operador de drone do FBI descreveu um «objeto linear com uma luz super brilhante», mas o documento foi fortemente editado para proteger identidades e locais.

A testemunha descreveu o objeto metálico como não tendo asas ou exaustão, sendo menor que um 737 e movendo-se a 5.000 pés antes de desaparecer em segundos. As extensas redações, no entanto, servem como um lembrete sombrio de que a ‘transparência’ do Estado de segurança nacional tem limites estritos e autoimpostos.

Legisladores como os senadores Chuck Schumer e Kirsten Gillibrand pressionaram por anos pela divulgação desses arquivos através de emendas na Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA). O comunicado de imprensa da era Trump, no entanto, convenientemente enquadra a liberação como um ato de benevolência, afirmando que ‘o Presidente Trump está focado em fornecer máxima transparência ao público’.

A NASA, por sua vez, também entrou na arena, com seu administrador, Bill Nelson, confirmando a criação de um painel de estudo independente sobre o tema. Nelson, um ex-astronauta, declarou que a agência espacial abordará o mistério de uma perspectiva puramente científica, separada das investigações de segurança nacional do Pentágono.

O modelo de liberação, no entanto, parece espelhar a controversa divulgação dos ‘Arquivos Epstein’ pelo Departamento de Justiça no início do ano. Essa iniciativa foi amplamente criticada por liberar documentos já públicos, com redações pesadas e omissões inexplicáveis que mais obscureceram do que esclareceram.

Assim como na liberação dos arquivos de Epstein, não houve interpretação ou contexto fornecido pela Casa Branca, deixando o público com uma avalanche de dados brutos e potencialmente enganosos. O próprio site dos UAPs apresentou falhas técnicas em seu lançamento, reforçando a comparação com o caótico processo anterior e sua duvidosa utilidade.

O esforço interinstitucional, apelidado de PURSUE, resulta em um labirinto de informações onde a verdade parece mais distante do que nunca. A grande revelação do Pentágono pode ser, no final das contas, uma sofisticada operação de gerenciamento de percepção, substituindo o segredo absoluto pela paralisia através da confusão em massa.

Essa estratégia de inundar o domínio público com dados não conclusivos serve para exaurir o interesse e neutralizar investigações sérias. Ao oferecer um volume colossal de ruído, o Estado garante que qualquer sinal genuíno permaneça para sempre perdido na estática burocrática que ele mesmo criou.


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