O economista Richard Wolff destaca que a influência americana no Oriente Médio está em franco declínio, levando países como Arábia Saudita e Irã a buscarem novas alianças, potencialmente com a China. Esta mudança ocorre devido à percepção de que os Estados Unidos não são mais um parceiro confiável na região. Wolff critica a abordagem americana de tentar controlar o comércio de petróleo, utilizando sanções e presença militar para manter sua hegemonia global, o que, segundo ele, é uma estratégia fadada ao fracasso.
O declínio do poder americano é ainda mais evidente quando se observa a tentativa dos EUA de manter o Estreito de Ormuz aberto, um ponto estratégico para o comércio de petróleo. Wolff aponta que, apesar dos esforços, os Estados Unidos falharam em garantir controle total sobre a região. A resistência de países como o Irã, que impõe taxas sobre o comércio de petróleo, mostra a dificuldade dos EUA em manter sua influência sem recorrer a ações militares diretas. Essa situação é agravada pela crescente influência da China, que se apresenta como um parceiro mais estável para os países do Oriente Médio.
A entrevista foi transmitida pelo canal Dialogue Works, em 14 de maio de 2026, com a participação de Michael Hudson e Richard Wolff. Wolff é um renomado economista, conhecido por suas críticas ao capitalismo e ao imperialismo americano. Ele frequentemente discute como as políticas econômicas e militares dos EUA afetam a geopolítica global, especialmente em regiões ricas em recursos naturais.
Wolff observa que a tentativa dos EUA de manter o Estreito de Ormuz aberto é uma estratégia vazia, já que todos os países, incluindo o Irã, desejam que a passagem permaneça livre para o comércio. Essa insistência dos EUA em controlar a região é vista como um sinal de desespero e perda de influência. A Arábia Saudita, por exemplo, está considerando um pacto de não agressão com o Irã, movida pela percepção de que não pode mais contar com o apoio incondicional dos Estados Unidos.
A crítica de Wolff ao imperialismo americano se aprofunda ao analisar a estratégia dos EUA de usar o controle do petróleo como arma geopolítica. Ele argumenta que os Estados Unidos buscam criar caos econômico em países que não seguem sua política externa, o que não só prejudica esses países, mas também afeta a economia global. Wolff destaca que essa abordagem está empurrando os países do Oriente Médio a procurarem alianças mais confiáveis, como a China, que já é um dos maiores consumidores de petróleo da região.
O economista também menciona que a Arábia Saudita e outros países do Golfo estão se voltando para a China como um mercado em crescimento para seu petróleo. Esta mudança indica uma realocação das alianças militares e diplomáticas, afastando-se dos Estados Unidos. Wolff ressalta que essa transição é um exemplo claro do que acontece quando um império em declínio não consegue mais oferecer segurança e estabilidade a seus aliados.
Michael Hudson, colega de Wolff, complementa a análise ao destacar que a presença militar dos EUA no Oriente Médio, especialmente em bases nos Emirados Árabes, é vista como um fator de risco, mais do que de proteção. Ele argumenta que a tentativa americana de usar Israel como um bastião para controlar a região é insustentável, especialmente com a crescente resistência de países como o Irã e a Arábia Saudita.
Wolff finaliza sua análise destacando que a China, ao contrário dos EUA, tem adotado uma abordagem mais estratégica e cuidadosa em suas relações internacionais. Ele observa que a China tem investido em reservas estratégicas e em alianças globais, preparando-se para navegar por crises econômicas e geopolíticas com mais facilidade. Esta estratégia, segundo Wolff, demonstra uma compreensão mais profunda do desenvolvimento econômico e das dinâmicas globais, contrastando com a abordagem militarista e imperialista dos Estados Unidos.