Senado aprova acompanhamento de caso em que patroa e PM torturaram doméstica grávida no Maranhão

Imagem da patroa acusada de agredir e torturar a doméstica grávida. (Foto: metropoles.com)

Uma doméstica grávida de seis meses foi torturada durante cerca de uma hora, teve uma arma de fogo colocada na boca e foi arrastada pelos cabelos dentro da própria casa onde trabalhava. O caso, ocorrido em 17 de abril no município de Paço do Lumiar, na Grande São Luís (MA), ganhou dimensão nacional e chegou ao Senado Federal.

A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou um requerimento para acompanhar as investigações contra a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, presa por agredir e torturar a empregada doméstica Samara Regina. O requerimento é de autoria da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que pede ao Senado que dialogue com as autoridades responsáveis pelo caso e verifique as condições de assistência à vítima. O objetivo é fortalecer a fiscalização sobre situações de violência contra mulheres trabalhadoras em situação de vulnerabilidade.

Samara havia sido contratada apenas 15 dias antes das agressões. Segundo ela relatou ao portal Metrópoles, na data do ocorrido Carolina a chamou para arrumar a casa, pois receberia a visita de um amigo — identificado como o policial militar Michael Bruno. Assim que o PM chegou, Samara foi convocada à sala e passou a ser interrogada sobre um anel que a patroa dizia ter desaparecido.

As agressões incluíram coronhadas na cabeça, tapas no rosto, arrasto pelos cabelos e, no momento mais extremo, a introdução de uma arma de fogo na boca da vítima. Samara declarou que só pensava em proteger a barriga durante as agressões e que chegou a acreditar que seria morta. Só foi expulsa de casa quando Carolina se sentiu satisfeita — momento em que a trabalhadora buscou ajuda de um vizinho e de uma amiga.

O detalhe mais revelador do caso é que o anel supostamente furtado foi encontrado depois — dentro de um cesto de roupa suja, no banheiro do quarto da própria patroa. ‘Estava no cesto de roupa suja, em um banheiro do quarto dela. Depois disso, ela veio para cima de mim e me agrediu mais ainda’, relatou Samara em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles. A descoberta da joia não interrompeu as agressões; ao contrário, segundo a vítima, as intensificou.

A participação do PM Michael Bruno no episódio aprofunda a gravidade do caso. Um servidor público armado pelo Estado utilizou sua condição e seu armamento para intimidar, pressionar e agredir uma mulher grávida no interior de uma residência privada. O caso levanta questões concretas sobre o controle disciplinar das polícias militares estaduais e sobre a impunidade que cerca agentes de segurança envolvidos em crimes contra populações vulneráveis.

Carolina Sthela foi presa após o caso ganhar repercussão nacional, impulsionado por um áudio que ela mesma enviou a um grupo de amigos no WhatsApp. No áudio, relatava com detalhes como havia torturado a funcionária, alegando que ela havia furtado uma joia. O material funcionou como prova autoincriminatória e acelerou a prisão.

A aprovação do requerimento no Senado sinaliza que o episódio não será arquivado como caso isolado. Samara reúne condições que a tornaram alvo fácil — mulher, grávida, recém-contratada, sem vínculo formal consolidado — e foi submetida a uma sessão de tortura conduzida por uma empresária e por um agente do Estado que, por dever de ofício, deveria proteger e não aterrorizar cidadãos.


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Redação:
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