O presidente dos EUA, Donald Trump, foi recebido pelo presidente da China, Xi Jinping, em Pequim para uma cúpula bilateral que ambos os líderes descreveram como um momento decisivo para o futuro das relações entre as duas maiores economias do planeta.
A abertura do encontro foi marcada por um tom conciliatório incomum. Xi alertou que “o mundo se encontra em uma encruzilhada, marcada por turbulências e incertezas”.
Em suas palavras iniciais diante da imprensa, Xi colocou a questão central do encontro de forma direta. O líder chinês perguntou se China e EUA são capazes de cooperar para enfrentar desafios globais e trazer mais estabilidade ao mundo. “Podemos, no interesse do bem-estar de nossos dois povos e do futuro da humanidade, construir juntos um futuro melhor para nossas relações bilaterais?”, questionou.
Xi lançou uma proposta de fôlego geopolítico: a criação de um “novo modelo de relações entre grandes potências”. Para fundamentar o argumento, evocou a chamada “Armadilha de Tucídides” — conceito que descreve o risco histórico de uma potência emergente e uma potência estabelecida entrarem em rivalidade perigosa, com referência ao historiador da Grécia Antiga.
A menção é um sinal claro de que Pequim quer reposicionar a disputa sino-americana para além da lógica de confronto. Xi afirmou estar convicto de que os interesses comuns entre China e EUA superam as divergências.
A declaração contrasta com anos de escalada de tensões comerciais, disputas tecnológicas e pressões sobre Taiwan — temas que Trump optou por não mencionar em suas falas introdutórias. O presidente americano abriu o encontro com elogios ao anfitrião.
“Você é um grande líder — às vezes as pessoas não gostam quando eu digo isso, mas eu digo assim mesmo, porque é verdade”, afirmou Trump. Ele classificou de “fantástico” o futuro compartilhado entre os dois países e descreveu como uma honra a amizade com Xi, conforme reportou o portal alemão Tagesschau.
Entre os temas deixados de lado estão os conflitos comerciais anteriores, as tensões em torno do apoio dos EUA a Taiwan e a impaciência de Washington com Pequim pela exportação de precursores químicos usados na fabricação de fentanil. A escolha deliberada de não tocar nesses pontos reforça a leitura de que ambos os lados preferiram, ao menos no plano simbólico, priorizar o tom de reaproximação.
A agenda prevê que Xi receba Trump em um banquete de Estado ao final do dia, com o presidente americano retornando na sexta-feira. A brevidade da visita não diminui seu peso simbólico — trata-se do primeiro encontro presencial entre os dois líderes em um contexto de recomposição das relações bilaterais após meses de tensão tarifária.
O tom adotado por Xi aponta para uma estratégia deliberada de Pequim: elevar o nível do debate para o campo filosófico e histórico, retirando o foco das disputas pontuais. A referência à Armadilha de Tucídides é um convite para que Washington reconheça que a ascensão da China não precisa, necessariamente, resultar em guerra.
Trump respondeu com afagos e declarações de amizade. Se as conversas reservadas produzirão acordos concretos — em tarifas, tecnologia ou segurança — é o que os próximos dias revelarão.
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