Pesquisadores da Universidade da Califórnia — Santa Barbara desenvolveram um material inovador que funciona como uma ‘bateria solar recarregável’, capaz de capturar a luz do sol em moléculas orgânicas e liberá-la posteriormente na forma de calor.
O avanço foi inspirado nas mudanças estruturais reversíveis observadas no DNA quando exposto à luz ultravioleta e no funcionamento de lentes fotocrômicas, como as usadas em óculos de sol que escurecem ao sol. O sistema utiliza uma molécula orgânica modificada chamada pirimidona.
A tecnologia integra o campo conhecido como armazenamento de energia solar molecular, ou MOST, na sigla em inglês. Conforme detalhado em estudo publicado na revista Science, a molécula é capaz de reter energia por anos e apresenta densidade energética superior à das baterias de íon-lítio, superando a marca de 1,6 megajoules por quilograma.
A professora associada Grace Han, líder do estudo, explicou que a inspiração central veio da capacidade do DNA de alterar sua conformação de maneira reversível ao ser exposto à radiação ultravioleta. O material absorve a luz solar, armazena a energia em ligações químicas e a libera como calor sob demanda, sem perda significativa ao longo do tempo.
Em experimentos laboratoriais, a tecnologia demonstrou ser capaz de liberar calor suficiente para ferver água em condições ambientais normais. O potencial de aplicação prática é amplo, abrangendo desde sistemas de aquecimento autônomos para uso em acampamentos até soluções de aquecimento doméstico desconectadas da rede elétrica convencional.
O projeto recebeu financiamento da Moore Inventor Fellowship, bolsa concedida a Han em 2025 com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento dessas ‘baterias solares recarregáveis’ de base molecular. Conforme reportou o Science Daily, a pesquisa abre caminho para uma nova geração de soluções de armazenamento energético que dispensam infraestrutura pesada e materiais críticos como o lítio.
A tecnologia MOST não é inteiramente nova como conceito, mas a utilização da pirimidona modificada representa um avanço concreto em termos de estabilidade, densidade e viabilidade de escalonamento. Se os resultados se confirmarem em fases mais avançadas de desenvolvimento, a abordagem pode transformar a forma como energia solar é armazenada e distribuída em contextos de baixa infraestrutura. Regiões remotas e países em desenvolvimento que buscam ampliar o acesso à energia limpa sem depender de cadeias de suprimento globais vulneráveis figuram entre os principais beneficiários potenciais.
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